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*** Por Alexandra Luís, da agência Lusa ***
Sófia, 11 jul 2026 (Lusa) – O vice-chefe de projetos de investigação e cooperação da Deutsche Welle adianta, em entrevista à Lusa, que a empresa de media está na fase de testes com IA e tem diretrizes claras sobre o uso da tecnologia.
Jochen Spangenberg foi dos oradores do Seminário Connecting UE, organizado pelo Comité Económico e Social Europeu [European Economic and Social Committee] (EESC), que decorreu em Sófia, Bulgária, em 06 e 07 de julho.
Questionado sobre como pode a inteligência artificial (IA) ajudar nas redações, Jochen Spangenberg, que é ‘deputy head of research & cooperation projects’ [designação em inglês] na Deutsche Welle, diz que tal pode acontecer de “muitas maneiras”, mas “depende do que se pretende fazer”.
Por exemplo, a IA pode “auxiliar na investigação, ajudar a reunir informação e dar apoio, dependendo da tarefa”.
Na Deutsche Welle “estamos a realizar muitos testes e experiências, a conduzir investigações e a criar protótipos, mas, até à data, temos feito muito pouco em termos de implementação”, prossegue.
Portanto, “ainda estamos na fase de testes”, “queremos perceber o que é possível fazer”, salienta Jochen Spangenberg, que falou à Lusa à margem do evento, que decorreu na Universidade de Sófia.
Além disso, “temos orientações e regras muito claras sobre o que pode e o que não pode ser utilizado — e há muita coisa que não deve ser utilizada”.
O responsável salientou que a empresa de media quer e precisa “ser transparente” quanto a isso.
Por isso, “devemos seguir as nossas orientações editoriais estabelecidas, que também abrangem diretrizes sobre a utilização da IA”, sublinha, enfatizando que “é fundamental” que tudo o que for feito com IA “esteja em conformidade com estas diretrizes”.
Quanto ao impacto da IA nas redações, Jochen Spangenberg considera que vai mudar muita coisa porque “tem potencial para dar um grande apoio”.
“Pessoalmente — é esta a minha visão —, num futuro próximo e previsível, vejo-a como uma ferramenta de apoio. Não como uma ferramenta que faz tudo sozinha, sem interferência humana. É apenas uma ferramenta, como tantas outras”, considera.
A inteligência artificial é uma área vasta, afirma, podendo ser aplicada desde ao vídeo, produção de textos, na área da investigação, num leque de várias ferramentas de apoio.
“Mas, no final do dia, as questões fundamentais continuam a ser as mesmas: se trabalha com notícias, ainda quer encontrar respostas para questões como o que aconteceu, onde, como e porquê aconteceu, e quer chegar ao seu público com histórias envolventes”, sublinha.
Por exemplo, no ‘storytelling’, algo que lhe acrescente valor enquanto jornalista — e, em última análise, à audiência — pode ser muito benéfico, prossegue, referindo que, no entanto, a natureza exata destas ferramentas e a forma como serão percecionadas é ainda uma incógnita em parte.
“Teremos de acompanhar isso e só descobriremos através de ensaios e testes”, remata Jochen Spangenberg.
A Deutsche Welle (DW) é a emissora internacional da Alemanha que transmite programas de televisão, rádio e online para todo o mundo.
O seminário organizado pelo EESC teve como tema “Em defesa dos valores europeus: o poder da sociedade civil” [In defence of european values: The power of civil society].
*** A Lusa viajou a convite do European Economic and Social Committee ***













