Portugal combate fogos com Canadair que não podem operar acima dos 38 graus

Portugal contratou a uma empresa espanhola dois destes aviões pesados de combate aos fogos, além de uma terceira aeronave de reserva.

Revista de Imprensa

Os dois aviões Canadair integrados este ano no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais têm limitações de operação em dias de calor extremo. As aeronaves do modelo CL-215 não podem descolar nem voar quando a temperatura é igual ou superior a 38 graus.

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De acordo com o Correio da Manhã, a Força Aérea confirmou que esta restrição consta do manual de voo do modelo. Portugal contratou a uma empresa espanhola dois destes aviões pesados de combate aos fogos, além de uma terceira aeronave de reserva.

A limitação obrigou recentemente à transferência dos dois Canadair que estavam estacionados no Centro de Meios Aéreos de Castelo Branco. As aeronaves chegaram a participar no combate ao incêndio que começou no concelho de Vouzela, mas acabaram por ser deslocadas para Ovar quando as temperaturas na região se aproximaram e ultrapassaram os 40 graus.

Segundo o Correio da Manhã, a Força Aérea considera habitual este tipo de ajustamento operacional. Sempre que as condições meteorológicas o exigem, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e o ramo militar podem decidir a relocalização temporária dos meios aéreos para preservar a capacidade de resposta e manter as aeronaves disponíveis.

Calor reduz capacidade de descolagem

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A Liga dos Bombeiros Portugueses explica que a subida da temperatura afeta a potência necessária para a descolagem, sobretudo quando os aviões transportam os depósitos de água cheios. O ar mais quente dificulta o desempenho da aeronave e torna a operação mais exigente.

Eduardo Correia, vice-presidente da Liga dos Bombeiros, reconhece que todos os meios aéreos têm limitações técnicas e considera compreensível a utilização dos Canadair CL-215, uma vez que existem poucas alternativas disponíveis no mercado.

O responsável admite, contudo, que a transferência das aeronaves para outras bases reduz a sua autonomia operacional. Ainda assim, defende que essa mudança é necessária para garantir que os aviões conseguem continuar a participar no combate aos incêndios.

A gestão dos meios aéreos de combate aos fogos está nas mãos da Força Aérea desde uma resolução aprovada em Conselho de Ministros a 4 de outubro de 2018, durante o Governo liderado por António Costa. Até então, essa responsabilidade pertencia à Proteção Civil.

Portugal recorreu também ao mecanismo de proteção civil da União Europeia, tendo Espanha disponibilizado dois aviões Canadair para reforçar o dispositivo nacional. Entre 1 de junho e 30 de setembro, período correspondente às fases Charlie e Delta, o país conta com um total de 78 meios aéreos destinados ao combate imediato aos incêndios rurais.

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