Os 12 trunfos de Jorge Jesus: novo selecionador é apresentado no dia em que Portugal celebra o Euro’2016

O antigo técnico do Al Nassr sucede a Roberto Martínez, que deixou o cargo imediatamente após a derrota com Espanha, por 1-0, nos oitavos de final do Campeonato do Mundo. A eliminação abriu caminho ao fim do ciclo do treinador espanhol e ao início da “era Jorge Jesus” na equipa das quinas

Executive Digest

Jorge Jesus é o novo selecionador nacional. O treinador português, de 71 anos, assinou contrato com a Federação Portuguesa de Futebol válido por quatro anos, até 2030, e deverá ser apresentado esta sexta-feira, às 15h00, precisamente no dia em que se assinala o 10.º aniversário da conquista inédita do Europeu de 2016, em França.

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O antigo técnico do Al Nassr sucede a Roberto Martínez, que deixou o cargo imediatamente após a derrota com Espanha, por 1-0, nos oitavos de final do Campeonato do Mundo. A eliminação abriu caminho ao fim do ciclo do treinador espanhol e ao início da “era Jorge Jesus” na equipa das quinas.

Livre desde maio, depois de deixar o Al Nassr, clube pelo qual se sagrou campeão saudita com Cristiano Ronaldo e João Félix no plantel, Jesus assume pela primeira vez na carreira o comando de uma seleção. O percurso como treinador começou em 1989/90, no Amora, e passou por clubes como Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Sporting de Braga, Benfica, Sporting, Al Hilal, Flamengo e Fenerbahçe.

O contrato até 2030 coloca o novo selecionador perante um ciclo longo e exigente: Liga das Nações, Euro 2028 e Mundial 2030, competição que Portugal organizará em conjunto com Espanha e Marrocos. Para Jesus, trata-se também da concretização de uma ambição antiga, já várias vezes assumida ao longo da carreira.

A missão imediata será dar uma nova identidade à Seleção. Durante o Mundial, Bernardo Silva lamentou que Portugal não tivesse uma forma de jogar tão reconhecível como outras seleções, como Espanha ou Alemanha. Jesus quer precisamente preencher essa lacuna e criar uma ideia mais clara, mais agressiva e mais ofensiva para a equipa nacional.

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Ao contrário do que marcou muitas das suas passagens por clubes, a Seleção não deverá partir de um 4x4x2 clássico. A ideia passa por reinventar o 4x2x3x1 usado com frequência nos últimos anos, tornando-o mais ofensivo do que aquele que se viu durante o ciclo de Roberto Martínez. A continuidade desse modelo pode também facilitar a ligação com os sub-21, onde Luís Freire tem recorrido ao 4x2x3x1, alternando-o com o 4x3x3.

Jesus terá, porém, um desafio que nunca enfrentou da mesma forma em clubes: pouco tempo de treino. Conhecido pela intensidade com que vive as sessões, pela repetição de movimentos e pela obsessão com o detalhe tático, o treinador terá agora de condensar ideias em períodos curtos de preparação antes dos jogos internacionais.

É aqui que entram os seus 12 trunfos. Dos 26 jogadores levados por Roberto Martínez ao Mundial, 11 já foram treinados por Jorge Jesus em algum momento da carreira. A eles junta-se João Palhinha, nome habitual nas contas da Seleção, que também conhece bem os métodos do técnico. Esta base poderá ajudar a acelerar a adaptação do grupo às novas exigências.

O foco inicial deverá estar na organização defensiva. Embora seja associado a equipas ofensivas, Jesus costuma construir a partir do posicionamento sem bola, procurando dar equilíbrio para que laterais, médios e avançados possam assumir mais riscos no ataque. Essa preocupação ajuda a explicar o interesse em integrar na equipa técnica um antigo defesa de referência da Seleção, com Ricardo Carvalho e Pepe entre os nomes avaliados.

A estreia deverá acontecer na Liga das Nações, no final de setembro, com jogos frente a País de Gales, Noruega e Dinamarca. Serão os primeiros testes de uma equipa que terá pouco tempo para assimilar novas ideias, mas que parte com vários jogadores já familiarizados com a forma de trabalhar do novo selecionador.

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A médio prazo, o maior desafio será preparar duas seleções dentro da mesma Seleção. Parte da atual base ainda deverá chegar em condições ao Euro 2028, mas o Mundial 2030 exigirá renovação. Cristiano Ronaldo já anunciou que não voltará a disputar um Campeonato do Mundo, enquanto jogadores como José Sá, Rui Silva, Nélson Semedo, João Cancelo, Bernardo Silva e Bruno Fernandes chegarão a 2030 numa fase mais avançada da carreira.

A idade não significa, por si só, afastamento, mas obriga a preparar alternativas. Jesus terá de gerir a competitividade imediata e, ao mesmo tempo, abrir espaço a uma nova geração. Ao longo da carreira, nunca teve receio de lançar jovens e trabalhar talento em crescimento. Na Seleção, terá ainda uma vantagem que nunca teve nos clubes: nenhum rival poderá comprar-lhe os melhores jogadores.

A apresentação desta sexta-feira terá, por isso, um peso simbólico especial. Dez anos depois da maior conquista da história da Seleção, com Fernando Santos no banco e Portugal campeão europeu em Paris, a FPF inicia um novo ciclo com outro treinador português. Jorge Jesus chega para ganhar, mas também para tentar deixar uma marca: dar à equipa das quinas uma identidade própria antes do Mundial que Portugal ajudará a organizar em 2030.

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