Por Ana Cláudia Lima, Maxfinance Dragão

Consigo entender o motivo pelo qual tanta gente se debate com esta questão. Isto, porque a lógica parece simples: se os juros baixarem, a prestação fica mais barata. O que muitas vezes se esquece, é que essa mesma conclusão está a ser feita por milhares de pessoas ao mesmo tempo.
No meu entendimento, existe uma situação adicional a esta que deve ser fortemente considerada e que nos mostra que muitas vezes o ganho obtido com uma taxa de juro mais baixa pode ser anulado por um preço de compra mais alto.
Quero com isto dizer, que quando existe a tão desejada descida das taxas de juro, o poder de compra das famílias aumenta, estimulando a procura por habitação. Quando a oferta não acompanha esse aumento de procura, os preços dos imóveis acabam por sofrer uma pressão ascendente.
Adiar a compra na expectativa de obter uma prestação mensal mais reduzida, pode significar, encontrar mais tarde, um imóvel de preço superior. Neste caso, o aumento do valor de aquisição pode traduzir-se em mais capital financiado, assim como numa entrada de capitais próprios superior, mas a decisão de comprar envolve muitas mais variáveis do que as referidas anteriormente, como por exemplo, idade e o prazo de financiamento que é muitas vezes ignorado, mas que tem grande impacto.
Isto significa que devemos comprar a qualquer custo? Naturalmente que não.
Comprar casa continua a exigir prudência, estabilidade financeira e capacidade para acomodar a prestação sem comprometer a qualidade de vida. Nenhuma descida de juros compensa uma decisão tomada sem preparação.
Mas também é verdade que demasiadas famílias ficam presas numa espécie de sala de espera financeira, convencidas de que o próximo trimestre ou o próximo semestre lhes trará condições ideais.
Na maioria das vezes, essas condições ideais não chegam.
O mercado muda, os preços ajustam-se, a procura reage e a oportunidade que parecia estar apenas adiada acaba por desaparecer.
Talvez por isso a pergunta mais relevante não seja: “Quando vão descer os juros?”
A pergunta certa é outra: “Se encontrasse hoje a casa certa, teria condições para a comprar?”
Porque quem compra uma casa não investe apenas numa taxa de juro. Investe num imóvel, numa localização, num projeto de vida e num momento. E os momentos, ao contrário das taxas, nem sempre voltam.
É precisamente por isso que faz sentido olhar para a decisão de forma global. Avaliar a capacidade financeira, comparar soluções de financiamento, perceber o impacto do prazo, da taxa escolhida ou do montante de entrada são fatores que podem ter um peso muito superior a uma pequena descida da Euribor.
Mais do que tentar adivinhar o comportamento futuro das taxas de juro, importa perceber qual é a solução mais adequada para cada situação concreta. E é aqui que o apoio de um intermediário de crédito pode fazer a diferença: ajudando as famílias a comparar propostas de diferentes bancos, a compreender o verdadeiro custo do financiamento e a tomar uma decisão informada, ajustada à sua realidade e aos seus objetivos de longo prazo.




