Siemens : IA industrial: a inteligência artificial que transforma o mundo real

A inteligência artificial entrou no dia a dia dos cidadãos e das organizações de formas que se tornaram quase imperceptíveis

Executive Digest

Está nas recomendações que surgem nas plataformas de streaming, nos filtros das redes sociais ou nos assistentes de voz que respondem às nossas perguntas. Mas existe uma dimensão desta transformação que vai muito além desses exemplos – uma dimensão mais profunda, mais exigente e com um potencial de impacto incomparavelmente maior: a inteligência artificial aplicada à indústria. É nesta área que a Siemens concentra a sua aposta estratégica, com um ecossistema de soluções concebido para responder aos desafios concretos da indústria: da produção às cadeias de abastecimento, das infraestruturas às redes de energia. Para a empresa, é neste domínio que a próxima grande revolução industrial se vai decidir.

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A visão da Siemens, que está presente em Portugal há mais de 120 anos, é clara: desenvolver tecnologia com o propósito de melhorar o dia-a-dia e tornar as indústrias mais eficientes e resilientes. Para alcançar estes objectivos, a IA Industrial assume um papel imprescindível. Mas não se trata de qualquer IA: falamos de sistemas treinados com dados reais da indústria, com conhecimento profundo sobre processos e com a integração de domínios tão diversos quanto a física, a química, a termodinâmica e a engenharia de produção.

O resultado da integração da IA nos processos industriais, garante a empresa, traduz-se em indicadores concretos – mais produtividade, menos desperdício, redução significativa das emissões de CO₂, ciclos de desenvolvimento mais curtos e uma transição de operações reactivas para preditivas.

E os efeitos práticos já se fazem sentir em múltiplas dimensões da actividade industrial, assegura a Siemens. «A IA industrial já está a permitir conceber produtos de forma mais rápida e inteligente, adaptar fábricas em tempo real a novas condições de mercado, antecipar falhas antes mesmo de ocorrerem e utilizar recursos cada vez mais escassos com níveis de eficiência nunca alcançados», afirma Luís Bastos, responsável pela Digital Industries na Siemens Portugal.

Do chão de fábrica ao mundo digital: onde a siemens faz a diferença

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A posição da Siemens nesta área resulta de décadas de presença activa no chão de fábrica e de uma compreensão profunda dos processos industriais e das suas exigências. A empresa está hoje capacitada para fazer aquilo que poucas organizações no mundo conseguem: integrar, de forma coerente e escalável, o mundo real e o mundo digital. Das máquinas às infraestruturas, dos processos produtivos às redes de energia, a Siemens combina IT e OT – tecnologias de informação e tecnologias operacionais – numa abordagem que transforma dados, até agora dispersos, em inteligência aplicada. Esta integração exige, naturalmente, padrões rigorosos de cibersegurança industrial, uma área em que a Siemens tem investido de forma contínua para garantir que a digitalização não compromete a integridade dos sistemas e dos dados. É precisamente nesta combinação entre o virtual e o físico que a IA ganha significado real e se converte em vantagem competitiva tangível para as organizações que a adoptam.

Projectos como os de armazenamento de energia e gestão de microrredes que a Siemens implementou na ilha Terceira ou no parque industrial da Lempäälän Energia, na Finlândia, são exemplos concretos dos benefícios desta tecnologia. Apesar de recorrerem a portefólios tecnológicos distintos, ambos os projectos permitem, com recurso a IA, monitorizar em tempo real os sistemas eléctricos, fazer previsões mais precisas da produção e consumo de energia para vários dias e horas, com base em previsões meteorológicas e dados históricos. No caso da Ilha Terceira, este sistema permite maximizar a integração de energias renováveis, mantendo níveis elevados de qualidade, fiabilidade e continuidade no abastecimento eléctrico da ilha. Já no caso de Lempäälän, o sistema permite ainda vender a energia excedente ou comprar energia à rede.

As ferramentas que estão a transformar a indústria

Para além destes projectos, a Siemens tem vindo a desenvolver um portefólio mais amplo de soluções que tornam a IA Industrial acessível e escalável. Muitas destas soluções fazem parte da Siemens Xcelerator, uma plataforma aberta de negócio digital que reúne hardware, software e serviços digitais num ecossistema acessível a empresas de todas as dimensões.

O Siemens Industrial Copilot, desenvolvido em parceria com a Microsoft, é um dos exemplos mais emblemáticos. Trata-se de um assistente de IA generativa que melhora a colaboração entre pessoas e máquinas ao longo de todo o ciclo de vida industrial, desde a fase de concepção e engenharia até à operação e manutenção. Esta solução tem um impacto directo na forma como as equipas trabalham no dia a dia: reduz as tarefas repetitivas, melhora o desempenho operacional e ajuda as organizações a fechar lacunas que o mercado de trabalho, por si só, já não consegue colmatar.

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Num patamar mais avançado, o Eigen Engineering Agent representa uma nova geração de ferramentas: a da IA agentiva. Este sistema é capaz de planear, executar e validar tarefas de engenharia de automação de forma autónoma, com ganhos de eficiência que podem atingir os 50% e melhorias de qualidade até 80% superiores face aos processos tradicionais.

Já o RapidMiner foi desenvolvido para responder a um dos problemas mais persistentes nesta área: a fragmentação e o subaproveitamento de dados. Nas fábricas e nos sistemas industriais existem hoje enormes volumes de informação – sobre equipamentos, processos, consumos, falhas e condições de operação. Mas esses dados continuam, em grande medida, por explorar, dispersos em silos que comunicam mal entre si. A plataforma liga esses dados numa única camada de inteligência, integrando análise de dados, machine learning e simulação para transformar cada processo num sistema de aprendizagem contínua. Esta solução é particularmente relevante, uma vez que modelos alimentados por dados incompletos, desactualizados, enviesados ou mal estruturados dificilmente produzirão resultados fiáveis.

O propósito destas soluções, sublinha a Siemens, não é a substituição do engenheiro, mas sim libertá-lo de tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, permitindo que dedique as suas capacidades analíticas e criativas a desafios de maior complexidade e impacto. É uma reconfiguração do trabalho humano e não uma redução do seu papel, assegura a empresa.

A dimensão das parcerias estratégicas da Siemens é igualmente reveladora da escala desta aposta. É exemplo a colaboração com a NVIDIA para desenvolver um sistema operativo para a IA Industrial, que permitirá reinventar toda a cadeia de valor.

A par destas soluções e parcerias, os digital twins, réplicas digitais de fábricas ou linhas de produção inteiras, ocupam também um lugar cada vez mais central na estratégia da Siemens. Estas simulações permitem testar, optimizar e validar processos em ambiente virtual, antes de qualquer implementação física, antecipando problemas que de outra forma só seriam detectados depois de causarem impactos operacionais e identificando oportunidades de melhoria que permaneceriam invisíveis. Não se trata de um cenário utópico: em Singapura, a Siemens já está a recorrer a esta tecnologia para simular fábricas digitais completas e validar sistemas autónomos, optimizando processos e acelerando a inovação antes mesmo da construção de qualquer estrutura física.

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A dimensão da aposta da Siemens na IA Industrial traduz-se em números expressivos. A Siemens anunciou um investimento de mil milhões de euros a nível global para escalar a Inteligência Artificial ao longo dos próximos três anos – um compromisso que sinaliza, de forma inequívoca, que esta não é uma tendência passageira. É uma transformação estrutural e permanente. A mensagem que a empresa transmite ao mercado é clara, como sublinha Luís Bastos: «A IA tem de estar integrada nas operações reais, com os padrões de fiabilidade e segurança que a indústria exige. A adopção de IA nos fluxos de trabalho passou a ser uma condição de competitividade, independentemente da dimensão da empresa ou do sector em que opera.» Neste âmbito, a Siemens tem trabalhado para que estas soluções não sejam exclusivas de grandes grupos industriais, oferecendo modelos escaláveis e modulares que permitem a empresas de menor dimensão iniciar o seu percurso de transformação digital de forma progressiva e sustentada.

As soluções existem, mas, para que esta transformação seja bem- -sucedida, a Siemens identifica, além do acesso a dados industriais de qualidade, duas premissas igualmente relevantes: o conhecimento profundo e especializado de cada sector e a criação de ecossistemas colaborativos robustos, onde empresas, parceiros, academia e talento trabalham de forma articulada e estratégica. É esta combinação, defende, que permite transformar a inteligência artificial em impacto económico, ambiental e social concreto e duradouro.

Pessoas no centro da transformação

Mas tudo isto só é possível se existirem colaboradores capacitados – outro dos pontos fulcrais na estratégia da Siemens para esta área. A posição é clara: a adopção bem-sucedida da IA não depende apenas de algoritmos, mas também da cultura organizacional, da liderança e da capacidade de mobilizar as equipas para esta jornada transformadora. A actualização e requalificação de competências são, por isso, pilares centrais da estratégia da empresa. Em Portugal, a Siemens disponibilizou 169 mil horas de formação, o que representa uma média de 50,9 horas de formação por colaborador. A convicção que sustenta este investimento é simples. «Nas grandes transições tecnológicas, são as organizações que acreditam e investem nas pessoas que transformam a disrupção em progresso e constroem vantagens competitivas duradouras», afirma Luís Bastos.

A Siemens não tem dúvidas de que a IA Industrial será o motor da próxima revolução industrial e identifica em Portugal um conjunto de condições favoráveis que posicionam o País de forma promissora para tirar partido desta transformação: uma localização geográfica estratégica, riscos geoestratégicos e de segurança comparativamente reduzidos, liderança consolidada na produção de energia renovável, um sistema de ensino superior de reconhecida qualidade e capital humano altamente qualificado. Estes são activos que, combinados com a ambição certa, podem colocar Portugal numa posição de relevo na reindustrialização europeia.

A evolução e o impacto da IA acontecem, contudo, a uma velocidade sem precedentes, sendo imperativo agir de forma célere para que todo o potencial de transformação se concretize.

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Neste contexto, a Siemens não se posiciona apenas como fornecedora de tecnologia, mas como parceira activa na construção de um futuro industrial mais competitivo, mais eficiente e mais sustentável. É um compromisso que se mede em décadas: hoje, como nos últimos 120 anos em Portugal, a empresa continua a desenvolver projectos que impulsionam a reindustrialização sustentável do País e da Europa. Esse compromisso estende-se também à promoção de uma economia mais circular, em que os recursos são utilizados de forma mais inteligente e os ciclos de produção geram cada vez menos desperdício. A convicção que orienta esta trajectória mantém-se inalterada: a Siemens acredita que a tecnologia é uma resposta decisiva para os grandes desafios do nosso tempo – das alterações climáticas às demográficas, da urbanização à escassez de recursos. E desenvolvê-la com propósito claro e impacto real é o caminho mais determinante para a construção de um futuro melhor.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Transformação Digital”, publicado na edição de Junho (n.º 243) da Executive Digest.

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