Pensões na Europa: jovens pagam hoje, mas duvidam do que vão receber amanhã

Embora a reforma ainda pareça distante para quem tem entre 18 e 35 anos, uma parte significativa desta geração mostra preocupação sobre se terá, de facto, uma pensão suficiente no futuro.

Executive Digest

Os jovens europeus continuam a contribuir para sistemas de pensões nos quais muitos dizem não confiar. Embora a reforma ainda pareça distante para quem tem entre 18 e 35 anos, uma parte significativa desta geração mostra preocupação sobre se terá, de facto, uma pensão suficiente no futuro.

De acordo com um estudo do think tank independente Friends of Europe, 22% dos jovens inquiridos apontam as pensões como uma das suas principais preocupações. Ainda assim, 30% admitem ter apenas um conhecimento limitado sobre o funcionamento do sistema.

Sistema de pensões preocupa jovens europeus

O relatório Voices for Choices 2026 ouviu 2.000 europeus entre os 18 e os 35 anos em seis países: Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Polónia e Espanha.

Entre os inquiridos, os jovens dinamarqueses e franceses são os que dizem conhecer pior o funcionamento do sistema de pensões, com 34% e 33%, respetivamente, a assumirem esse desconhecimento. Em sentido contrário, italianos e espanhóis afirmam ter maior conhecimento sobre o tema.

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“Para mim, a maior preocupação sobre as pensões é que o sistema já não funcione para a minha geração e para as seguintes”, afirmou um participante francês no estudo. “Que tenhamos de pagar o preço por más escolhas políticas e económicas.”

Quase metade já desconta para a reforma

Apesar da falta de confiança, quase metade dos jovens inquiridos já contribui para um regime de pensões. Apenas 9% dizem não tencionar contribuir de todo.

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No entanto, só 17% acreditam que a sua pensão será suficiente para garantir a reforma. Pelo contrário, 43% esperam que o valor fique aquém das necessidades.

O estudo resume a conclusão de forma clara: muitos jovens sentem que estão a colocar dinheiro num sistema em que não confiam.

Entre os dinamarqueses, mais de um em cada quatro acredita que a sua pensão será relativamente suficiente para suportar a reforma. Já em Itália, mais de um em cada três jovens considera o contrário.

Jovens defendem reforma dos sistemas de pensões

Os dados mais recentes da OCDE mostram que as fontes de rendimento dos idosos na Europa, na sua maioria pensionistas, variam bastante entre países.

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Em média, as transferências públicas, como pensões ligadas aos rendimentos, representam 56% do rendimento das pessoas mais velhas. Já as transferências privadas profissionais, incluindo pensões obrigatórias e subsídios por morte, representam 7%.

Em países como Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Luxemburgo, cerca de 80% do rendimento dos idosos vem de transferências públicas.

Reformar mais tarde? Jovens europeus divididos

Ainda faltam várias décadas até que os atuais jovens europeus cheguem à idade da reforma, mas as expectativas sobre o tempo de trabalho variam de país para país.

Os jovens da Dinamarca e de Itália esperam ter as carreiras mais longas. Já os jovens em França e na Polónia imaginam sair mais cedo do mercado de trabalho.

A maioria dos inquiridos em Espanha, Itália, Alemanha, Polónia e França considera que o atual sistema de pensões está quebrado e precisa de reforma. Na Dinamarca, o cenário é diferente: 43% dos jovens dizem acreditar que o sistema funciona bem e não precisa de mudanças.

Apesar disso, os jovens europeus estão divididos sobre os sacrifícios que aceitariam para reformar o sistema. Cerca de 45% apoiam mudanças que evitem medidas impopulares, com França e Dinamarca a revelarem menor abertura a reformas mais duras.

Por outro lado, 40% defendem que a reforma deve avançar mesmo que implique escolhas políticas difíceis.

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