O bloqueio do Estreito de Ormuz está a provocar uma das maiores crises energéticas das últimas décadas, com impactos já visíveis na Europa, Ásia e restantes economias globais. A situação é considerada crítica e, segundo o El País, cada dia que esta importante rota marítima permanece encerrada agrava os efeitos económicos de forma exponencial.
Este canal é responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás consumidos no mundo. O seu encerramento, motivado pelas tensões entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, está a provocar escassez de combustíveis essenciais como o querosene, o gasóleo e o fuelóleo.
Segundo o El País, países altamente dependentes de importações energéticas do Golfo Pérsico, como o Japão, já enfrentam dificuldades no abastecimento, obrigando à procura de alternativas menos eficientes e mais caras.
A crise não afeta apenas o fornecimento, mas também toda a cadeia económica global. Setores como a aviação, o transporte marítimo e a agricultura estão sob pressão crescente, enquanto os preços da energia continuam a subir.
Europa sob pressão e risco de nova crise energética
Na Europa, o impacto já se faz sentir de forma significativa. Companhias aéreas reduziram voos para poupar combustível e os preços do gasóleo dispararam, afetando diretamente famílias, empresas e o setor agrícola.
O continente europeu teme reviver um cenário semelhante ao de 2022, quando a guerra na Ucrânia provocou uma crise energética sem precedentes. A possibilidade de um novo choque, menos de cinco anos depois, levanta sérias preocupações sobre uma eventual recessão.
A situação torna-se ainda mais delicada devido aos baixos níveis de reservas de gás natural, essenciais para garantir o abastecimento durante o inverno.
Estados Unidos e Irão também sob pressão
Apesar de serem um dos maiores produtores de petróleo do mundo, os Estados Unidos não estão imunes. O aumento do preço dos combustíveis já está a ter impacto político, sobretudo com eleições importantes no horizonte. Historicamente, preços elevados da gasolina prejudicam o desempenho eleitoral dos governos.
Do lado do Irão, a situação também é complexa. Inicialmente, o bloqueio permitiu aumentar receitas energéticas, mas as sanções e o segundo confinamento imposto pelos Estados Unidos reduziram drasticamente as exportações. A pressão interna cresce à medida que a capacidade de armazenamento se aproxima do limite.
Ásia e economias emergentes: os mais vulneráveis
Os países emergentes são os mais afetados pela crise. Na Ásia, várias economias enfrentam escassez de combustíveis e medidas de emergência.
As Filipinas declararam estado de emergência, enquanto países como Bangladesh e Myanmar já implementaram racionamento. Na Indonésia, funcionários públicos passaram a trabalhar remotamente para reduzir o consumo de combustível.
A dependência do gás liquefeito de petróleo e do crude do Golfo torna estas economias especialmente vulneráveis a um bloqueio prolongado.
China tenta resistir, até quando vai aguentar?
A China entrou na crise com alguma vantagem, graças a reservas estratégicas acumuladas e à aposta na eletrificação dos transportes. Ainda assim, a pressão começa a aumentar.
Pequim já apelou à reabertura do Estreito de Ormuz, demonstrando preocupação com a continuidade do bloqueio. A dependência energética da região continua a ser significativa, apesar dos esforços de diversificação.
Petro-monarquias enfrentam perdas severas
Os países produtores do Golfo também estão a sofrer consequências. Com exportações praticamente paradas, várias economias enfrentam dificuldades financeiras.
Alguns países já procuraram apoio externo para garantir liquidez, enquanto outros enfrentam previsões económicas negativas. Apenas a Arábia Saudita parece ter capacidade para suportar um bloqueio mais prolongado.
Dois cenários possíveis para o futuro
O desfecho desta crise dependerá das negociações entre os principais intervenientes. O cenário mais provável aponta para um acordo mínimo que permita reabrir o estreito, possivelmente com condições impostas pelo Irão para a passagem de navios.
No entanto, existe um cenário mais pessimista: a continuação do conflito. Nesse caso, os preços do petróleo poderiam disparar para níveis históricos, entre 200 e 250 dólares por barril, desencadeando uma recessão global, inflação elevada e forte instabilidade económica.
A conclusão é clara: nenhum dos principais atores globais pode permitir que o Estreito de Ormuz permaneça fechado até ao verão. O impacto económico, político e social seria demasiado elevado.
Como sublinha o El País, o tempo está a esgotar-se e cada dia sem solução aumenta significativamente os riscos para a economia mundial.













