Guerra no Irão faz subir preços dos voos e ameaça férias da Páscoa e do verão

O agravamento do conflito envolvendo o Irão está a provocar uma forte subida dos preços da energia e começa a ter impacto direto no custo das viagens aéreas.

Pedro Gonçalves
Março 9, 2026
16:47

O agravamento do conflito envolvendo o Irão está a provocar uma forte subida dos preços da energia e começa a ter impacto direto no custo das viagens aéreas. Para muitos turistas europeus, incluindo os alemães, isso poderá traduzir-se em voos mais caros nas próximas semanas e meses, numa altura em que muitos planeiam as férias da Páscoa e do verão.

A ação militar desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão está a provocar perturbações no mercado energético global. A rota comercial do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, continua bloqueada pelo regime iraniano e registam-se ataques a petroleiros, refinarias e infraestruturas petrolíferas. Esta instabilidade tem impacto direto no preço da energia e, consequentemente, em vários setores económicos.



Como resultado desta situação, o preço do petróleo Brent registou uma subida acentuada e ultrapassou novamente a marca dos 100 dólares por barril, algo que não acontecia desde 2022. Esta evolução está a refletir-se também no custo do querosene, o combustível utilizado pelos aviões.

Para a maioria das companhias aéreas, o combustível representa entre 20% e 30% dos custos operacionais. Sempre que o preço do querosene sobe, a pressão financeira sobre as transportadoras aumenta, o que tende a repercutir-se nos preços pagos pelos passageiros.

Além disso, o preço do querosene tende a subir ainda mais rapidamente do que o do petróleo bruto. Isto deve-se, segundo especialistas, aos chamados “acréscimos de pânico” nos mercados energéticos. Como o querosene é produzido principalmente a partir do petróleo, o aumento do custo da matéria-prima acaba por ser transmitido ao combustível utilizado na aviação e, em parte, transferido para os consumidores.

Sven Maertens, subdiretor do Instituto de Transporte Aéreo do Centro Aeroespacial Alemão, explicou esta dinâmica numa declaração ao jornal Frankfurter Rundschau. “Se os preços do petróleo, e consequentemente do querosene, subirem permanentemente, podemos esperar que as companhias aéreas transfiram pelo menos parte destes custos adicionais para os bilhetes de avião a médio prazo”, afirmou.

Caso o conflito no Irão se prolongue, esta tendência poderá manter-se durante os próximos meses, afetando não apenas as viagens previstas para a Páscoa, mas também a época de férias de verão.

Rotas para a Ásia já registam aumentos significativos
Os primeiros sinais dessa subida já são visíveis em várias rotas internacionais utilizadas por viajantes alemães. Em alguns casos, os aumentos são particularmente acentuados.

Um exemplo citado é a ligação entre Frankfurt e Singapura. Antes do início da guerra, os bilhetes de ida e volta custavam entre 400 e 800 euros. Atualmente, os preços ultrapassam frequentemente os 2.000 euros. Situação semelhante verifica-se nas rotas entre Munique ou Frankfurt e Deli, que anteriormente custavam entre 600 e 800 euros e que agora podem atingir cerca de 2.000 euros.

Outros destinos asiáticos, como Banguecoque, Mumbai ou Pequim, também registaram aumentos significativos, com preços que em alguns casos são duas a cinco vezes superiores aos praticados antes da escalada militar. As ligações aéreas para a Austrália também estão a sofrer encarecimentos.

Uma das razões para estes aumentos está relacionada com o papel estratégico da região do Golfo Pérsico no tráfego aéreo internacional. Muitos voos entre a Europa e a Ásia fazem escala em aeroportos dessa região. Com o conflito no Irão, vários desses pontos de ligação deixaram temporariamente de funcionar plenamente como hubs de transferência, reduzindo a oferta de voos disponíveis.

Possível descida de preços nas próximas semanas
A situação poderá, no entanto, sofrer alterações relativamente rápidas. Caso as grandes companhias aéreas do Golfo retomem as suas operações em maior escala, a oferta de voos poderá aumentar novamente, o que contribuiria para aliviar a pressão sobre os preços.

Entre essas companhias estão a Emirates, a Etihad e a Qatar Airways, que desempenham um papel fundamental nas ligações entre a Europa, a Ásia e a Oceânia. A Emirates já anunciou que está a operar com um horário reduzido, mas indicou que pretende recuperar até 100% da sua rede de voos nos próximos dias, num prazo máximo de uma a duas semanas.

Se esse regresso ocorrer conforme previsto, os preços das tarifas aéreas poderão voltar a descer entre 30% e 70%, dependendo da rota. Segundo especialistas, essa eventual descida poderá tornar-se perceptível para os consumidores dentro de sete a 14 dias.

Ainda assim, mesmo que a oferta de voos volte a aumentar, o impacto do aumento do preço do querosene continuará a refletir-se nas tarifas, o que significa que os bilhetes poderão manter-se mais caros do que antes do início do conflito.

Companhias aéreas admitem impacto nas tarifas
Responsáveis do setor da aviação já admitem que o aumento dos custos energéticos poderá ter impacto direto nos preços das viagens. O diretor executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, afirmou recentemente que muitas companhias aéreas terão de transferir parte desses custos para os passageiros.

Em declarações ao canal televisivo ntv, o responsável explicou que o aumento do preço do combustível provocado pela guerra no Irão poderá refletir-se nos preços dos bilhetes, sobretudo em rotas de longo curso. Segundo Spohr, os destinos mais afetados poderão incluir viagens para a Ásia, para a China e também para a África do Sul.

Especialistas aconselham reservas antecipadas
Perante este cenário, especialistas recomendam que os viajantes reservem os voos o mais cedo possível. A reserva antecipada pode ajudar a evitar aumentos mais significativos caso os preços continuem a subir nas próximas semanas.

Também é aconselhável comparar diferentes companhias aéreas e itinerários, uma vez que fatores como o momento da reserva, a disponibilidade de lugares e o nível de procura podem influenciar o preço final.

A monitorização regular dos preços através de plataformas especializadas e a ativação de alertas automáticos para alterações de tarifas podem igualmente ajudar os viajantes a encontrar melhores oportunidades.

Outra medida apontada por especialistas é a contratação de seguros de viagem. Este tipo de proteção pode reduzir o impacto financeiro em casos de atrasos, cancelamentos ou alterações de itinerário, sobretudo para passageiros que dependam de escalas na região do Golfo.

Destinos europeus continuam com aumentos mais moderados
Apesar da subida generalizada das tarifas aéreas, os aumentos registados em vários destinos europeus têm sido até agora relativamente moderados.

Entre os destinos que continuam a apresentar preços mais acessíveis para viajantes alemães encontram-se várias regiões de Espanha, como Maiorca, as Ilhas Canárias, a Costa del Sol, Barcelona ou a Andaluzia. Portugal também surge entre as opções mais económicas, com destinos como o Algarve, o Porto ou Lisboa.

Outros países mediterrânicos, como Itália e Grécia, mantêm igualmente preços relativamente mais estáveis em comparação com rotas de longo curso. Destinos como Sicília, Sardenha, Roma, Milão ou Apúlia, em Itália, bem como Creta, Rodes, Atenas ou Kos, na Grécia, continuam a ser alternativas procuradas.

Além disso, destinos como a Croácia e a Bulgária, assim como algumas escapadelas urbanas no norte da Europa — incluindo cidades como Londres, Budapeste ou Estocolmo — continuam a apresentar tarifas relativamente mais baixas.

Ainda assim, especialistas sublinham que atualmente praticamente não existem destinos onde os preços dos voos para a Páscoa de 2026 tenham permanecido completamente inalterados.

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