11-M: o maior atentado terrorista da Europa faz hoje 22 anos

Na manhã de 11 de março de 2004, uma série de explosões atingiu vários comboios suburbanos que transportavam milhares de passageiros para o centro da capital espanhola durante a hora de ponta

Executive Digest

Passaram 22 anos desde o maior atentado terrorista da história da Europa, um ataque que abalou Madrid, chocou o continente e mudou profundamente a forma como os países europeus combatem o terrorismo.

Na manhã de 11 de março de 2004, uma série de explosões atingiu vários comboios suburbanos que transportavam milhares de passageiros para o centro da capital espanhola durante a hora de ponta. As bombas, colocadas por um grupo de jihadistas inspirados na Al-Qaeda, provocaram 191 mortos e cerca de 1.800 feridos, transformando o chamado 11-M no atentado mais sangrento da Europa neste século.

Os ataques ocorreram em quatro comboios diferentes que circulavam na rede ferroviária de Madrid, muitos deles a caminho da estação de Atocha, um dos principais nós de transporte da cidade. As imagens de carruagens destruídas, corpos espalhados nos carris e equipas de emergência a tentar salvar os feridos ficaram gravadas na memória coletiva de Espanha e de toda a Europa.

Um país em choque

O impacto do atentado foi imediato. Madrid mergulhou no caos, com hospitais sobrelotados, linhas telefónicas congestionadas e milhares de familiares à procura de notícias sobre passageiros desaparecidos.

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Para muitas famílias, aquele dia nunca terminou. Alejandro Benito, irmão de uma das vítimas e hoje presidente da Fundação Rodolfo Benito, recordou à ‘BBC’ a tragédia como um momento impossível de esquecer. “É um dia que nunca se apagará da minha memória. Posso contar minuto a minuto o que aconteceu”, afirmou.

O maior atentado jihadista na Europa

O ataque aconteceu menos de três anos após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, numa altura em que o terrorismo jihadista global estava em plena expansão.

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Segundo especialistas em segurança internacional, os ataques de Madrid representaram o primeiro grande golpe do terrorismo islâmico em solo europeu, expondo uma ameaça que até então muitos Governos europeus subestimavam.

Carola García Calvo, especialista do Instituto Real Elcano, explica que o massacre revelou de forma abrupta a presença e a capacidade de ação de redes jihadistas no continente.

Até então, em Espanha, a principal preocupação das autoridades era o terrorismo do grupo separatista basco ETA, que durante décadas dominara o cenário da violência política no país.

Uma nova resposta antiterrorista na Europa

O impacto do 11-M foi também político e institucional. O atentado levou a uma profunda revisão das estratégias de segurança na Europa e reforçou a cooperação entre serviços de informação e forças policiais.

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Segundo o especialista em segurança Luis de la Corte Ibáñez, da Universidade Autónoma de Madrid, os ataques de Madrid e os atentados de Londres em 2005 levaram a União Europeia a adotar a sua primeira estratégia comum de combate ao terrorismo, lançada em 2005.

Esse esforço resultou num aumento significativo de recursos para os serviços de segurança, numa maior troca de informação entre países e num reforço da cooperação internacional, especialmente com países do Norte de África.

O destino dos responsáveis

Após os atentados, as autoridades espanholas lançaram uma das maiores operações antiterroristas da história do país. Semanas depois, vários dos responsáveis pelos ataques suicidaram-se num apartamento nos arredores de Madrid quando foram cercados pela polícia.

Outros membros da rede jihadista foram capturados e condenados a longas penas de prisão.

Uma ameaça que continua

Duas décadas depois, especialistas consideram que a natureza da ameaça terrorista mudou, mas não desapareceu.

Os grandes ataques coordenados tornaram-se menos frequentes na Europa devido ao reforço da vigilância e das capacidades de segurança. No entanto, surgiram novos riscos, sobretudo ligados a “lobos solitários” ou pequenos grupos radicalizados através da propaganda online.

Além disso, o jihadismo global também evoluiu. Nos últimos anos, a organização Estado Islâmico tornou-se a principal referência para muitos radicais, substituindo parcialmente a influência da Al-Qaeda.

Uma memória que permanece

Mesmo com as mudanças no panorama da segurança global, o 11 de março de 2004 continua a ser um marco na história europeia.

Todos os anos, Espanha recorda as vítimas do atentado com cerimónias e homenagens que lembram não apenas a tragédia daquele dia, mas também a necessidade de permanecer vigilante perante o extremismo violento.

Porque, como sublinham muitos especialistas, o legado do 11-M não é apenas uma memória dolorosa — é também um alerta permanente para o futuro.

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