Anthropic recusa conceder ao Exército norte-americano uso irrestrito da sua IA

A startup Anthropic recusou na quinta-feira conceder ao Exército norte-americano o uso irrestrito da sua inteligência artificial (IA), dois dias depois do ultimato emitido pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 27, 2026
0:52

A startup Anthropic recusou na quinta-feira conceder ao Exército norte-americano o uso irrestrito da sua inteligência artificial (IA), dois dias depois do ultimato emitido pelo secretário da Defesa, Pete Hegseth.


“Estas ameaças não mudam a nossa posição: (…) não podemos aceder ao pedido”, frisou Dario Amodei, CEO da Anthropic, em comunicado.


Washington tinha dado à jovem empresa californiana até hoje (sexta-feira) para conceder acesso incondicional à sua tecnologia, sob ameaça de medidas de emergência federais que a obrigariam a acatar o pedido.


A criadora do ‘chatbot’ de IA Claude referiu que não está a abandonar as negociações, mas que a nova redação do contrato recebida do Departamento de Defesa “praticamente não fez qualquer progresso na prevenção do uso de Claude para vigilância em massa de cidadãos americanos ou em armas totalmente autónomas”.


O principal porta-voz do Pentágono reiterou que as Forças Armadas desejam utilizar a tecnologia de IA da Anthropic de forma legal e não permitirão que a empresa imponha quaisquer limites antes do prazo final para concordar com as suas exigências.


Sean Parnell destacou na quinta-feira, nas suas redes sociais, que o Pentágono “não tem interesse em utilizar a IA para realizar vigilância em massa de cidadãos norte-americanos (o que é ilegal), nem para desenvolver armas autónomas que operem sem intervenção humana”.


As políticas da Anthropic impedem que os seus modelos, como o ‘chatbot’ Claude, sejam utilizados para estes fins.


É a última das suas concorrentes — o Pentágono tem também contratos com a Google, a OpenAI e a xAI de Elon Musk — a não fornecer a sua tecnologia a uma nova rede interna das Forças Armadas dos EUA.


Parnell afirmou que o Pentágono deseja “utilizar o modelo da Anthropic para todos os fins legais”, mas não forneceu sobre o que isso implicaria.


“Não permitiremos que nenhuma empresa dite os termos sobre a forma como tomamos decisões operacionais”, vincou.


Durante uma reunião na terça-feira entre o Secretário da Defesa Pete Hegseth e Amodei, as autoridades militares alertaram que poderiam cancelar o contrato da Anthropic, designar a empresa como um risco para a cadeia de abastecimento ou invocar uma lei da época da Guerra Fria chamada Lei de Produção de Defesa para dar às Forças Armadas uma autoridade mais abrangente para utilizar os seus produtos, mesmo que a empresa não aprove.


“As duas últimas ameaças são inerentemente contraditórias: uma rotula-nos como um risco para a segurança; a outra rotula Claude como essencial para a segurança nacional”, apontou Amodei.


 

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