“Verdades desconfortáveis pedem escolhas difíceis”: chefes militares apelam para um aumento urgente da despesa com Defesa para travar Putin

Alerta foi deixado pelos chefes da Defesa da Alemanha e do Reino Unido num artigo conjunto publicado no ‘The Guardian’ e no ‘Die Welt’, onde apelam a um reforço significativo do investimento militar para dissuadir uma eventual escalada da Rússia

Francisco Laranjeira

Na última década, os Estados-membros da União Europeia duplicaram as despesas com Defesa, mas terão de ir mais longe para responder às ameaças atuais. O alerta foi deixado pelos chefes da Defesa da Alemanha e do Reino Unido num artigo conjunto publicado no ‘The Guardian’ e no ‘Die Welt’, onde apelam a um reforço significativo do investimento militar para dissuadir uma eventual escalada da Rússia.

No artigo, o general Carsten Breuer, chefe da Defesa alemã, e o marechal do ar Sir Richard Knighton, chefe do Estado-Maior da Defesa britânico, defendem que as nações europeias têm de enfrentar “verdades desconfortáveis” sobre a sua segurança e assumir “escolhas difíceis” em matéria de despesa pública. Segundo os responsáveis, o reforço militar de Moscovo e a sua disponibilidade para fazer guerra no continente europeu, evidenciada pela invasão da Ucrânia, representam um risco acrescido que exige uma resposta coletiva.

Os dois responsáveis sublinham que as intenções russas vão além do atual conflito e consideram essencial que as populações apoiem o aumento da despesa com Defesa, mesmo que isso implique reduzir verbas destinadas a outros serviços públicos, frequentemente associados ao chamado “dividendo da paz” após o fim da Guerra Fria.

Apesar de a União Europeia já ter duplicado o investimento militar na última década, os chefes militares argumentam que tal não é suficiente. “As ameaças que enfrentamos exigem uma mudança significativa na nossa defesa e segurança”, escrevem, acrescentando que “o rearmamento não é belicismo; é a ação responsável de nações determinadas a proteger o seu povo e a preservar a paz”.

O apelo surge após a Conferência de Segurança de Munique, onde o secretário de Estado americano, Marco Rubio, instou a Europa a assumir maior responsabilidade pela sua própria defesa, depois de décadas em que contou com os Estados Unidos como principal pilar da sua segurança.

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No texto conjunto, é ainda recordado que os líderes da NATO se comprometeram a atingir uma meta de 5% do Produto Interno Bruto em despesa com defesa até 2035. Para os chefes militares, é fundamental que a população compreenda as decisões difíceis que os Governos terão de tomar para reforçar a dissuasão.

Contudo, os dados de opinião pública revelam resistência. No Reino Unido, apenas cerca de 25% dos inquiridos defendem o aumento de impostos ou cortes em serviços públicos para financiar mais despesa militar, segundo uma sondagem da YouGov realizada em janeiro. Na Alemanha, apenas 24% da população apoia o reforço da despesa com defesa caso isso implique prejudicar outros programas, de acordo com uma sondagem recente divulgada pelo jornal ‘POLITICO’.

Ainda assim, os responsáveis defendem uma “abordagem de toda a sociedade” à defesa. “A defesa não pode ser responsabilidade exclusiva do pessoal fardado. É uma tarefa para cada um de nós”, afirmam.

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Paralelamente ao apelo ao reforço orçamental, Reino Unido e Alemanha anunciam medidas concretas para aumentar a prontidão militar. Londres está a construir seis novas fábricas de munições, enquanto Berlim reposiciona tropas junto à fronteira oriental.

O Ministério da Defesa britânico confirmou também o envio de um grupo de ataque de porta-aviões liderado pelo ‘HMS Prince of Wales’ para o Atlântico Norte e o Ártico ainda este ano, com o objetivo de dissuadir a agressão russa e proteger infraestruturas submarinas consideradas vitais. O destacamento contará com caças F-35 e envolverá cooperação com forças americanas, europeias e canadianas.

Segundo o secretário da Defesa britânico, John Healy, a operação permitirá preparar o Reino Unido para cenários de combate, reforçar o contributo para a NATO e consolidar a cooperação com aliados estratégicos, mantendo o país seguro internamente e relevante no plano internacional.

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