Coincidência? Agência de sondagens dos EUA deixa de medir popularidade presidencial após Trump bater recorde negativo

A agência de sondagens Gallup anunciou que vai deixar de medir a popularidade presidencial nos Estados Unidos, pondo fim a um histórico de quase nove décadas de acompanhamento da opinião pública sobre a presidência norte-americana.

Pedro Gonçalves

A agência de sondagens Gallup anunciou que vai deixar de medir a popularidade presidencial nos Estados Unidos, pondo fim a um histórico de quase nove décadas de acompanhamento da opinião pública sobre a presidência norte-americana. A decisão coincide com o registo mais baixo de aprovação do presidente Donald Trump durante o seu segundo mandato.

O índice de aprovação presidencial da Gallup começou a ser produzido há 88 anos, durante o mandato de Franklin D. Roosevelt, e tornou-se um dos barómetros mais citados da opinião pública norte-americana. Entre os dados históricos mais notáveis estão os 90% de aprovação de George W. Bush logo após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em dezembro de 2025, Trump registou 36% de aprovação, mantendo-se estável desde novembro e muito abaixo dos 47% com que iniciou o segundo mandato em janeiro de 2025. Este valor aproxima-se do mínimo histórico de 34% medido após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Críticas à gestão de Trump e impacto das sondagens
Outros estudos indicam que 56% dos norte-americanos desaprovam a gestão do presidente, sobretudo devido à política económica e migratória. Don Levy, diretor do Siena Research Institute (SRI), destacou que “muitos opinam que o país está pior do que há um ano e que a economia, em vez de melhorar, deteriorou-se. A maioria reprova a forma como a política migratória está a ser conduzida e cerca de dois terços rejeitam a atuação do ICE”.

O presidente reagiu às publicações recentes com críticas acesas, incluindo ameaças legais contra os meios de comunicação. Numa mensagem na sua rede social Truth Social, Trump afirmou: “Esta sondagem será adicionada à minha ação contra o falhado New York Times. Os nossos advogados exigiram que conservem todos os registos e como computaram estes resultados falsos. Serão totalmente responsáveis por todas as suas mentiras e fechorias da esquerda radical”.

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Apesar das reações do presidente, a Gallup assegurou que a decisão de deixar de acompanhar a aprovação presidencial é motivada exclusivamente por prioridades internas e objetivos estratégicos de investigação: “Este é um mudança estratégica baseada nas metas de investigação e prioridades da Gallup, e faz parte de um esforço mais amplo para alinhar todo o trabalho público da Gallup com a sua missão”, explicou um porta-voz.

A agência continuará a produzir pesquisas sobre temas sociais e económicos através de iniciativas como Gallup Poll Social Series, Gallup Quarterly Business Review e o World Poll, mantendo o compromisso com estudos metodologicamente sólidos sobre condições que moldam a vida das pessoas, tanto nos EUA como a nível global.

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