Reatores nucleares na Lua já nos próximos anos? NASA avança com plano para missões Artemis e Marte

A NASA está a avançar com um plano ambicioso para instalar reatores nucleares na superfície da Lua até ao final da década, através do seu projeto Fission Surface Power, numa mudança estratégica que visa ultrapassar as limitações da energia solar em missões espaciais de longa duração.

Pedro Zagacho Gonçalves

A NASA está a avançar com um plano ambicioso para instalar reatores nucleares na superfície da Lua até ao final da década, através do seu projeto Fission Surface Power, numa mudança estratégica que visa ultrapassar as limitações da energia solar em missões espaciais de longa duração.

O objetivo da agência espacial norte-americana passa por lançar um reator de potência média em órbita já em 2028, preparando o caminho para uma instalação operacional na Lua até 2030, com apoio do Departamento de Energia dos Estados Unidos e do Departamento de Defesa.

A iniciativa surge num momento em que a Casa Branca, através do Office of Science and Technology Policy (OSTP), definiu novas orientações para o desenvolvimento de uma estratégia federal para tecnologias nucleares no espaço.

Segundo a NASA, a utilização de energia nuclear no espaço responde a limitações estruturais das tecnologias atualmente dominantes, como a energia solar, que não conseguem assegurar fornecimento contínuo em ambientes extremos como o da Lua.

Um dos principais problemas é o ciclo lunar, em que a noite pode durar cerca de 14 dias terrestres, período durante o qual os painéis solares deixam de funcionar. Nesse intervalo, as baterias não conseguem garantir autonomia suficiente para manter uma base operacional.

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Esta limitação torna ainda mais difícil a exploração de regiões permanentemente sombrias, como o polo sul lunar, onde não há luz solar, mas existem reservas de gelo de água consideradas estratégicas para futuras missões.

Reatores lunares para garantir energia contínua e missões prolongadas
Em contraste com a energia solar, os reatores nucleares permitem uma produção contínua de eletricidade durante vários anos, independentemente da luz solar, condições ambientais ou localização.

A tecnologia baseada em fissão nuclear poderá ainda ser usada para propulsão elétrica, permitindo missões espaciais de maior duração e complexidade sem depender exclusivamente de combustíveis limitados.

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A Casa Branca sublinhou esta aposta estratégica, com o OSTP a afirmar numa publicação na rede social X que “a energia nuclear no espaço dará eletricidade, aquecimento e propulsão sustentados, essenciais para uma presença permanente na Lua, Marte e além”.

Projeto Fission Surface Power prevê base lunar autónoma
O projeto Fission Surface Power da NASA prevê uma capacidade de produção entre 40 e 100 quilowatts de eletricidade, energia suficiente para suportar uma pequena base lunar equipada com laboratórios científicos e sistemas de extração de recursos.

A instalação deverá ser altamente autónoma, exigindo manutenção mínima por parte dos astronautas, e será concebida de forma modular e escalável, permitindo adaptações futuras conforme as necessidades das missões.

O sistema poderá ainda integrar aplicações de propulsão espacial, tornando-se uma peça central tanto para exploração lunar como para futuras missões tripuladas a Marte.

Estratégia espacial dos Estados Unidos face à China e Rússia
Este investimento em energia nuclear no espaço também é interpretado como parte de uma estratégia geopolítica mais ampla dos Estados Unidos para reforçar a sua posição na corrida espacial face à China e à Rússia.

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A criação de uma infraestrutura energética sustentável na Lua é vista como um passo essencial para estabelecer uma presença humana permanente fora da Terra e testar tecnologias críticas para futuras missões interplanetárias.

O plano integra-se na nova fase do programa Artemis, que já levou astronautas de regresso ao espaço lunar após mais de 50 anos de ausência de missões tripuladas na superfície da Lua.

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