AR aprova proposta do Governo para confisco de bens, a contar com alterações

A Assembleia da República aprovou hoje na generalidade a proposta do Governo que modifica o mecanismo do confisco alargado de bens, com Chega e PS a viabilizarem o diploma na perspetiva de que seja alterado na especialidade.

Executive Digest com Lusa

A Assembleia da República aprovou hoje na generalidade a proposta do Governo que modifica o mecanismo do confisco alargado de bens, com Chega e PS a viabilizarem o diploma na perspetiva de que seja alterado na especialidade.


A proposta de lei, que transpõe uma diretiva europeia, contou com os votos a favor de PSD, CDS-PP e PAN, a abstenção de Chega, PS, Livre, PCP, BE e JPP, e a oposição da IL.


O diploma segue agora para a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, para ser aprimorado.


No debate que antecedeu a votação, os partidos foram unânimes em afirmar a importância de reforçar o confisco de bens para que o crime não compense, mas discordaram do modelo apresentado pelo Governo para atingir o objetivo.


Em causa está, sobretudo, o que consideram ser uma violação dos direitos dos cidadãos, devido à possibilidade de os suspeitos ficarem sem bens sem que haja uma condenação em tribunal pela prática dos crimes.

Continue a ler após a publicidade

“Não há formalmente uma presunção de culpabilidade, mas há riscos de efetivamente estarmos a corroer e a esboroar o princípio da presunção de inocência”, defendeu o deputado socialista Pedro Delgado Alves, sublinhando a disponibilidade do partido para, apesar das reservas, trabalhar o diploma na especialidade.


Pela IL, João Ambrósio frisou que “não vale tudo” e alertou para o perigo de a proposta de lei “subjugar de forma perigosa o indivíduo perante o Estado”, enquanto Paulo Muacho, do Livre, sustentou que “o combate ao crime deve ser feito com as regras da democracia”.


A deputada do PCP Paula Santos corroborou que o diploma “suscita problemas” que não podem ser ignorados, com o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, a lamentar que o Governo tenha “mais uma vez” optado “por uma via manifestamente inconstitucional”, e o do JPP, Filipe Sousa, a insistir que “combater a corrupção não é atropelar direitos”.

Continue a ler após a publicidade

Em sentido inverso, a deputada do Chega Cristina Rodrigues criticou o modelo do Governo por considerar que é um “retrocesso à lei atual”, prometendo que o partido não abdicará de que os prazos de prescrição do confisco de bens aumentem para, no final do processo legislativo, viabilizar o diploma.


Pelo PSD, Francisco José Martins sustentou que o grupo parlamentar entende que a proposta do Governo “reforça o combate” ao crime, enquanto João Almeida, do CDS-PP, salientou que é uma boa base para “melhorar e atender ao objetivo” na especialidade.


No encerramento da discussão, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, admitiu que há “com certeza margem para melhoria” do diploma na especialidade, acrescentando que a discussão de hoje no plenário mostra a dificuldade de equilibrar a eficácia do combate ao crime e o respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.


“Queremos que seja afirmada e concretizada a ideia de que o crime não compensa, mas não podemos descurar a obrigação de proteger os direitos, liberdades e garantias que definem o nosso Estado de direito”, resumiu.


Rita Alarcão Júdice destacou, ainda, que a aprovação da proposta será “um sinal claro de que Portugal cumpre os compromissos da União Europeia”.

Continue a ler após a publicidade

A generalidade das dúvidas apontadas hoje pelos deputados tinha já sido expressa pelo Conselho Superior da Magistratura, pelo Conselho Superior do Ministério Público, pela Ordem dos Advogados e pelo Mecanismo Anticorrupção nos pareceres remetidos ao parlamento.


O diploma hoje discutido foi aprovado em Conselho de Ministros em 11 de dezembro de 2025, deu entrada na Assembleia da República em 07 de janeiro e decorre da Agenda Anticorrupção aprovada pelo executivo de Luís Montenegro (PSD) em junho de 2024.


Na sessão de hoje, foi ainda chumbada um projeto de lei do Chega sobre o mesmo assunto, com os votos contra de PS, IL, Livre e BE, a abstenção de PSD, CDS-PP, PCP e JPP, e os votos favoráveis de Chega e PAN.


Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.