A ACAP defendeu hoje um maior controlo nos centros de inspeção, em particular sobre os filtros de partículas, para diminuir o peso das importações de usados, que em 2025 voltaram a representar mais de metade das novas matrículas em Portugal.
Em 2025, foram matriculados em Portugal 225.039 veículos de passageiros, um aumento de 7,3% face a 2024, sendo que 120.787 foram usados importados, segundo dados hoje apresentados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), na sua sede.
No total, 53,7% dos ligeiros de passageiros que receberam matrícula portuguesa em 2025 já tinham sido registados antes em outro país, marcando o quarto ano consecutivo em que mais de metade esteve nesta situação.
Questionado sobre se deveria haver um maior controlo das importações automóveis, o vice-presidente da ACAP Pedro Lazarino defendeu que um controlo mais apertado nos centros de inspeção poderia dissuadir a compra.
“Basta haver um controlo nos centros de inspeções sobre a questão de o carro ter filtro de partículas ou não, já cria uma incerteza”, disse, apontando que um potencial comprador já não vai querer comprar um carro sem saber a sua exata condição.
Pedro Lazarino lamentou que Portugal esteja a “importar o lixo do resto da Europa”.
“Os diesel caíram brutalmente em termos de valores residuais desde o Dieselgate [caso de falsificação de emissões por marcas], em 2015, e estes carros estão a entrar por valores absolutamente incríveis em Portugal”, registou.
Nesse sentido, criticou ainda o desconhecimento sobre a presença de filtros de partículas em TVDE.
“É importante relembrar que estamos cheios de TVDE de sete lugares a diesel e nem sabemos se estes carros têm filtros de partículas”, disse, apontando que “é um contrassenso” que “tem de ser regulamentado rapidamente”.
Entre os veículos importados em 2025, 33% são a gasóleo, contra 6% nos veículos matriculados pela primeira vez em Portugal. Ao mesmo tempo, os motores a combustão a gasolina representaram 31% dos importados, contra 25% nas primeiras matrículas nacionais.
A ACAP alertou ainda para a idade média das importações, que se situou em 7,9 anos. Mais de um terço dos veículos importados (36%) tinha entre cinco e 10 anos e 28% mais de 10 anos.
No entender da associação, esta idade mais elevada acaba por contribuir para a sinistralidade rodoviária, por serem carros mais antigos.












