Presidenciais. “Não há condições”: André Ventura vai propor adiamento das eleições

Lei Eleitoral do Presidente da República prevê a possibilidade

Francisco Laranjeira

André Ventura, líder do Chega e candidato presidencial, deverá propor o adiamento da segunda volta das eleições presidenciais, avançou ao início da tarde a ‘CNN Portugal’.

“Temos uma campanha marcada há meses, uma segunda volta que já estava prevista na lei e no calendário, mas isto é que não estava previsto acontecer. E um político tem de saber responder e reagir, estar ao lado do seu povo e perceber quais as prioridades de cada momento”, indicou o candidato, em Silves, garantindo que falará com Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro ainda esta quinta-feira. “Noto que a última preocupação são votos, as pessoas estão sem luz, sem abastecimento e comunicações, sem capacidade de interagir com a comunidade ou sem bens essenciais. As pessoas estão a passar mal.”



“Não é desproporcional dizer que temos grande parte do país em estado de calamidade, a noite passada trouxe ainda mais gravidade, e não temos condições para termos eleições neste contexto”, concluiu.

“Por uma questão de igualdade de todos os portugueses, vou propor que se adie uma semana [as eleições]”, frisou, lembrando que “há muitas zonas do país onde não vai ser possível sequer votar”. “Apelo a todos os que têm responsabilidades que não há nada mais importante do que estar ao lado das pessoas, ajudar a população que nos elege, que confia em nós e que pede que trabalhemos por ela.”

O tema ganhou dimensão pública esta manhã, em Alcácer do Sal, quando Marcelo Rebelo de Sousa garantiu não ser preciso “muito bom senso” para o adiamento do ato eleitoral por uma semana, conforme previsto pela lei, deixando a responsabilidade nos presidentes de câmara.

Recorde-se que o artigo 81º da Lei Eleitoral do Presidente da República estipula que os presidentes de Câmara no território continental ou os representantes da República nas regiões Autónomas podem, “perante situações de calamidade no dia da eleição ou nos três dias anteriores”, reconhecer a impossibilidade de realização da votação em determinadas assembleias ou secções.

A Câmara Municipal de Alcácer do Sal já decidiu adiar as eleições presidenciais por uma semana devido às cheias que atingiram o município, de acordo com informação avançada pela autarquia: assim, o escrutínio eleitoral neste município só irá ocorrer a 15 de fevereiro.

Seguro alerta para pesadelo

António José Seguro alertou esta quinta-feira para “o pesadelo” que seria para quem o quer como Presidente da República, ao não ir votar, acabar a eleger o seu opositor, considerando “um risco inaceitável” vencer por uma margem curta.

No final de uma visita ao DNA Cascais, distrito de Lisboa, Seguro foi confrontado com a possibilidade de a sua candidatura ser prejudicada por uma elevada abstenção devido ao mau tempo que tem assolado o território nacional.

“Quem ganha eleições são os votos dos portugueses, quando são contados, e no final a maioria diz quem é o novo Presidente da República. Aquilo que seria algo completamente surpreendente, seria mesmo um pesadelo, é que os portugueses queiram um Presidente, queiram a candidatura que eu protagonizo e, depois, por não irem votar, permitam que seja outro a vencer as eleições”, sustentou.

Questionado sobre se sentiria que a sua legitimidade ficaria fragilizada caso, em vez de ter uma vitória por uma margem confortável, tivesse um resultado pouco acima dos 50%, o candidato apoiado pelo PS respondeu que “seria um risco inaceitável se houvesse uma situação dessa natureza”.

“Eu julgo que nunca houve em Portugal uma escolha tão simples de fazer, porque são dois caminhos completamente diferentes e dois perfis de candidatos completamente diferentes. Aquilo que eu peço aos portugueses é que não arrisquem e façam um voto do lado certo”, apelou.

Para Seguro, a sua responsabilidade como candidato a Presidente da República é “apelar ao coração dos portugueses para que vão votar no próximo domingo”.

“É muito importante que os portugueses vão decidir quem é o Presidente da República que querem e não deixar que sejam outros a escolher e a fazer escolhas para eles próprios”, insistiu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.