‘Efeito Trump’ na procura americana de casas de luxo em Portugal: quais são as cidades mais desejadas?

Apesar do fim dos vistos gold para investimento imobiliário, a procura por casas de luxo no mercado português permanece elevada entre compradores oriundos dos EUA, segundo os dados mais recentes do ‘idealista’

Executive Digest

A instabilidade política e económica nos EUA continua a reforçar o interesse de americanos com elevado poder de compra por refúgios alternativos para viver e investir, com Portugal a manter-se como um dos destinos preferenciais. Apesar do fim dos vistos gold para investimento imobiliário, a procura por casas de luxo no mercado português permanece elevada entre compradores oriundos dos EUA, segundo os dados mais recentes do ‘idealista’.

A perceção de risco nos Estados Unidos tem-se intensificado no primeiro ano do novo mandato presidencial de Donald Trump, marcado por decisões com impacto interno e externo. No plano doméstico, destaca-se o endurecimento da política de imigração, que resultou em 605 mil deportações no último ano, bem como a pressão exercida sobre a Reserva Federal para reduzir as taxas de juro. Já a nível internacional, a aplicação de tarifas a vários parceiros comerciais, incluindo a União Europeia, a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o agravamento das tensões com o Irão contribuíram para um ambiente de maior incerteza.

É neste contexto que famílias e investidores americanos com elevado poder de compra continuam a procurar destinos considerados estáveis e seguros. Portugal surge como uma opção atrativa devido à sua localização estratégica, enquadramento fiscal, baixos níveis de criminalidade e clima ameno, fatores que ajudam a explicar a resiliência da procura, mesmo num cenário de menor incentivo fiscal ao investimento imobiliário.

EUA são a segunda maior origem da procura internacional premium

Os dados do ‘idealista’ relativos ao quarto trimestre de 2025 mostram que os Estados Unidos representaram 12% da procura internacional por casas de luxo à venda em Portugal, imóveis com preços superiores a um milhão de euros. Trata-se da segunda nacionalidade com maior peso neste segmento, apenas atrás do Reino Unido, que concentrou 13% da procura internacional premium.

Continue a ler após a publicidade

Este interesse mantém-se apesar do encerramento dos vistos gold para investimento imobiliário no final de 2023, sugerindo que os fatores geopolíticos e económicos nos EUA continuam a ter um papel relevante nas decisões de compra. A este contexto junta-se ainda a política local em Nova Iorque, onde o novo presidente da câmara, Zohran Mamdani, anunciou intenções de intervir no mercado habitacional, incluindo o congelamento de rendas e o aumento de impostos sobre cidadãos com rendimentos mais elevados.

Lisboa lidera interesse americano no segmento de luxo

No que diz respeito à distribuição geográfica da procura, Lisboa é o distrito que mais atrai compradores americanos no segmento premium, concentrando 46,5% das visitas desde os EUA a casas de luxo. Seguem-se Faro, com 16,1%, e o Porto, com 9,4%. Em conjunto, estes três distritos representam 72% da procura americana por imóveis de luxo em Portugal.

Continue a ler após a publicidade

A Madeira surge com um peso de 6,1%, enquanto Setúbal, São Miguel e Leiria apresentam valores mais moderados. Braga, Viana do Castelo e Aveiro são os únicos outros distritos com uma procura vinda dos EUA superior a 1%, sendo residual no restante território continental.

Procura americana tem forte peso nos Açores

A influência dos compradores americanos é particularmente expressiva nos Açores, onde os EUA assumem um papel determinante na procura internacional por casas de luxo. Na ilha do Faial, os americanos representam 39,1% do total das visitas estrangeiras a imóveis premium. Na Terceira, esse peso é de 36,1%, num contexto marcado pela presença histórica da base aérea das Lajes.

Em São Miguel e São Jorge, os EUA concentram mais de 30% da procura internacional premium, enquanto em Santa Maria, Pico e Flores os valores oscilam entre 23% e quase 30%. Esta tendência é explicada, em parte, pela proximidade geográfica e pelas ligações históricas entre os EUA e o arquipélago.

No continente, a procura americana também tem um peso relevante no total internacional em distritos como Leiria, Lisboa, Coimbra e Porto. Em contraste, o impacto é mais reduzido em Faro, Portalegre e na ilha de Porto Santo, segundo os mesmos dados do ‘idealista’.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.