Seguradoras já estão “no terreno” para avaliar prejuízos de milhões de euros deixados pela depressão Kristin

A tempestade Kristin atravessou o território nacional com ventos fortes e chuva intensa, provocando cinco mortes confirmadas e deixando um rasto de destruição em várias regiões do país.

Revista de Imprensa

A tempestade Kristin atravessou o território nacional com ventos fortes e chuva intensa, provocando cinco mortes confirmadas e deixando um rasto de destruição em várias regiões do país. De norte a sul registaram-se mais de quatro mil ocorrências, com especial incidência na região Centro, onde a queda de árvores, estruturas e as inundações causaram avultados danos materiais. Embora ainda não existam números finais, os prejuízos já identificados deverão traduzir-se numa fatura de vários milhões de euros.

De acordo com informações avançadas pelo Negócios, as companhias de seguros mobilizaram equipas para o terreno com o objetivo de avaliar os estragos e apoiar os clientes afetados. A Associação Portuguesa de Seguradoras (APS) confirmou que “em resposta às ocorrências registadas, as equipas das empresas de seguros estão já no terreno a avaliar os prejuízos e a ajudar os clientes afetados a recuperar rapidamente a normalidade das suas vidas, tendo desencadeado os procedimentos habitualmente adotados nestas situações”.

As seguradoras sublinham que têm acompanhado a situação desde o primeiro momento, mas admitem que ainda é prematuro fazer um balanço global dos danos provocados pela depressão que assolou o país. Segundo a APS, “as empresas de seguros têm estado a acompanhar e a prestar apoio, desde o primeiro momento, aos clientes afetados”, mas a dimensão total dos estragos continua em apuramento.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil contabilizou 4.183 ocorrências, a maioria relacionadas com quedas de árvores, que estiveram na origem de vítimas mortais e de múltiplos danos materiais. Foram ainda registados movimentos de massas, inundações e operações de limpeza de vias, bem como quedas de estruturas devido a rajadas de vento que, segundo a REN, atingiram os 200 quilómetros por hora em algumas zonas do país.

Leiria foi o distrito mais afetado pela passagem da Kristin, embora Coimbra também tenha sofrido impactos significativos. No Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, o vento destruiu várias aeronaves e o hangar de uma empresa de manutenção, causando prejuízos superiores a um milhão de euros. O diretor da infraestrutura, António Ferreira, confirmou a dimensão dos danos, que representam apenas um dos muitos casos ainda em avaliação pelas seguradoras.

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Perante mais um episódio de fenómenos extremos, o setor segurador voltou a defender a necessidade de uma abordagem integrada aos riscos catastróficos, reiterando a disponibilidade para colaborar numa solução que garanta maior proteção a cidadãos e empresas. Este apelo tem merecido atenção do regulador, a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, cujo presidente, Gabriel Bernardino, revelou estar a trabalhar no alargamento da proposta de criação de um fundo sísmico a outros riscos, como incêndios e inundações, reconhecendo que “Portugal não está nada bem na cobertura de riscos catastróficos”.

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