O número de partos realizados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) em contexto pré-hospitalar tem vindo a aumentar de forma consistente nos últimos anos, passando de 181 em 2022 para 277 em 2025. De acordo com dados disponibilizados esta quarta-feira pelo ‘Diário de Notícias’, a maioria destas situações ocorreu em contexto de emergência no domicílio das grávidas.
Em 2022, o INEM registou 181 partos fora do ambiente hospitalar em situação de emergência, número que subiu para 201 em 2023 e para 225 em 2024, antes de atingir os 277 no ano passado. Em todos os anos analisados, os partos realizados em casa representaram a maior fatia do total.
Partos em casa lideram ocorrências de emergência
Segundo os dados do INEM, em 2022 foram realizados 126 partos de emergência no domicílio, número que aumentou para 140 em 2023, 144 em 2024 e 153 em 2025. Os restantes casos distribuíram-se por ambulâncias, via pública, centros de saúde e situações em que não foi indicada a localização exata.
Os partos realizados em ambulâncias oscilaram ao longo do período analisado, com 25 casos em 2022, 18 em 2023 e 28 em 2024. Em 2025, este número subiu de forma acentuada para 60, o valor mais elevado dos últimos três anos.
Via pública e centros de saúde também registam ocorrências
O INEM registou ainda partos de emergência na via pública, com 18 ocorrências em 2022, 15 em 2023, 17 em 2024 e 23 em 2025. No ano passado, foram também registadas duas situações em centros de saúde, onde as mulheres acabaram por dar à luz antes da transferência hospitalar.
Há igualmente um crescimento dos partos de emergência sem indicação do local exato onde ocorreram. Em 2022 foram contabilizados 12 casos, que subiram para 28 em 2023, 36 em 2024 e 39 em 2025.
Lisboa e Vale do Tejo concentra mais de metade dos casos
A análise regional dos dados de 2025 mostra que Lisboa e Vale do Tejo foi a região com maior número de partos de emergência pré-hospitalares, com um total de 146 ocorrências. Destas, 88 aconteceram em casa, 26 em ambulâncias, 10 na via pública, duas em centros de saúde e 20 sem informação sobre o local.
A região Centro destacou-se também no ano passado, com 22 partos em ambulâncias, 24 em casa, oito na via pública e sete sem informação. No Norte, foram registados cinco partos em ambulâncias, 24 em casa e sete sem localização definida. O Alentejo contabilizou três em ambulâncias, quatro em casa, dois na via pública e três sem informação, enquanto no Algarve ocorreram quatro em ambulâncias, 13 em casa, três na via pública e dois sem indicação do local.
Linha SNS Grávida associada ao aumento das ocorrências
O INEM sublinha que os números agora divulgados não correspondem à totalidade dos partos fora do hospital, mas apenas aos realizados em contexto de emergência pré-hospitalar. Os restantes casos são divulgados anualmente pelo Instituto Nacional de Estatística e incluem, por exemplo, partos em casa por opção da mãe.
Ainda assim, tanto o INEM como o presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia-Obstetrícia da Ordem dos Médicos associam o aumento destas situações à criação da Linha SNS Grávida, em funcionamento desde 1 de junho de 2024, com o objetivo de afastar casos não urgentes das urgências hospitalares.
Carlos Veríssimo reconhece que “há situações de emergência que nunca vamos conseguir evitar” e admite que os partos em ambulâncias sempre existiram e continuarão a existir. No entanto, defende melhorias, nomeadamente ao nível da literacia em saúde das grávidas, do aperfeiçoamento dos algoritmos da Linha SNS Grávida e da necessidade de evitar o encerramento de urgências e maternidades.
O responsável admite ainda que pedidos de socorro tardios, atrasos na resposta da linha e indefinições quanto às maternidades abertas possam contribuir para estas situações, sublinhando que são frequentes em mulheres com mais do que um filho. O presidente da Ordem dos Médicos não exclui também a falta de acompanhamento nos cuidados de saúde primários, sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo, apontando para grávidas sem médico de família, incluindo mulheres imigrantes, como possíveis protagonistas de parte destes casos.
Apesar dos progressos, Carlos Veríssimo reforça que a Linha SNS Grávida deve continuar a retirar mais casos não urgentes das urgências, melhorar os tempos de resposta e funcionar em articulação com um esforço contínuo para manter maternidades e serviços de urgência em funcionamento.





