As taxas Euribor sofreram, ao contrário do expectável, uma evolução negativa ao longo do primeiro mês de 2026, pelo que fevereiro, para as famílias que vão ter o contrato do crédito habitação revisto, poderá trazer algum alívio na prestação bancária. No entanto, avisou um especialista, este alívio tem já os dias contados para todas as maturidades – e não falta muito.
“Janeiro trouxe dados muito curiosos: tivemos registos diários muito díspares, o que resultou, apesar deste ‘vaivém’, em ligeiras descidas em todas as maturidades. No caso da Euribor a 6 meses, não chega a uma décima”, aponto Nuno Rico, da DECO PROteste, contactado pela ‘Executive Digest’. “O que vem confirmar o cenário de grande instabilidade que estamos a viver, como também confirma a tendência de um cenário de alguma estabilização e eventualmente uma ligeira subida, gradual.”
Vamos a números:
Tomemos como exemplo um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread (margem comercial do banco) de 1%:
– Euribor a 12 meses: janeiro registou uma taxa média de 2,247% (dados até dia 26), o que traduz uma prestação mensal de 653 euros – uma poupança de aproximadamente 23 euros em comparação com o valor pago há um ano (676 euros).
– Euribor a 6 meses: apresenta uma média de 2,134%. Isto traduz-se numa prestação de 643 euros, representando um agravamento de “um pouco acima” dos 6 euros face à revisão anterior, em agosto último. “Está aqui um caso em que houve uma descida, mas para quem fizer a revisão do contrato vai significar um agravamento da prestação”, frisou o economista da DECO PROteste.
– Euribor a 3 meses: com uma média de 2,028%, a prestação fica agora nos 635 euros, menos 0,5 euros em relação à última revisão, apontou Nuno Rico.
“Ciclo de descidas constantes acabou”, reforça Nuno Rico
O comportamento das taxas Euribor nos últimos meses tem valido a muitas famílias portugueses um certo alívio nas prestações bancárias, embora rodeado de alguma incerteza mensal. No entanto, a evolução recente das taxas aponta que, em breve, todas as maturidades vão trazer consigo um agravamento. “Mantendo-se a tendência atual, a expectativa é que no final do primeiro trimestre, início do segundo, sobretudo no caso da Euribor a 12 meses, um agravamento da prestação. Mas nas três maturidades, é previsível que todas subam no final do primeiro trimestre, mantendo-se esta tendência. O que mostram os dados de janeiro, que são muito representativos da incerteza nos mercados financeiros e na economia mundial – tivemos descidas acentuadas até dia 15, mas depois, a questão do Irão, a solução de paz, as tarifas comerciais, inverteu este ciclo e tem vindo agora a registar subidas”, frisou Nuno Rico.
“É importante salientar que o contexto é de muita incerteza. O que parece é que o ciclo de descidas constantes, desde final de 2023 até final do primeiro semestre de 2025, terminou. Teremos a expectativa para já que teremos esta estabilidade, com ligeira subida, ao longo do primeiro semestre de 2026. Mas poderá acontecer qualquer fator imprevisível que pode alterar todo este contexto”, apontou.
“O BCE vai enfrentar dois problemas nas próximas reuniões: por um lado, alguma estagnação económica que está a decorrer que poderá levar a uma descida de taxas para animar a economia. Por outro lado, temos a inflação relativamente estabilizada, mas a política de guerra comercial que estamos a viver, levar a uma subida de preços e o BCE ser tentado a ‘segurar’ a inflação subindo as taxas de juro”, finalizou Nuno Rico.












