Justiça espanhola arquiva queixa contra Julio Iglesias por agressões sexuais e tráfico de seres humanos

O Ministério Público de Espanha arquivou hoje a queixa de agressões sexuais e tráfico de seres humanos de duas mulheres contra o cantor Julio Iglesias por “falta de jurisdição” e competência dos tribunais do país neste caso.

Executive Digest com Lusa

O Ministério Público de Espanha arquivou hoje a queixa de agressões sexuais e tráfico de seres humanos de duas mulheres contra o cantor Julio Iglesias por “falta de jurisdição” e competência dos tribunais do país neste caso.

Num despacho divulgado hoje, o Ministério Público invoca jurisprudência do Tribunal Supremo espanhol para concluir que “Espanha não é competente para investigar delitos no estrangeiro quando não existam vínculos relevantes” com o país.

“Especialmente, quando as vítimas são estrangeiras e não são residentes em Espanha; quando os alegados autores também o são ou não se encontram em Espanha (ou, ainda sendo, também não estão no nosso país); e quando os factos se investigam ou podem ser investigados no Estado onde ocorreram”, explicou o Ministério Público.

No caso concreto, Julio Iglesias, de nacionalidade espanhola, foi alvo de queixa em Espanha por parte de duas ex-funcionárias de nacionalidade não espanhola, por alegados crimes cometidos nas casas que o cantor tem na República Dominicana e nas Bahamas.

As duas mulheres acusaram também, na mesma queixa, duas governantas das casas de Julio Iglesias, dizendo que foram cúmplices nos alegados crimes.

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O Ministério Público sublinha que as alegadas vítimas são estrangeiras, não residentes em Espanha e nunca viajaram a Espanha com o cantor; que os alegados crimes ocorreram em “países plenamente competentes” e que Julio Iglesias e as duas governantas não residem em Espanha e têm três nacionalidades diferentes (espanhola, colombiana e brasileira).

Duas antigas empregadas de Julio Iglesias, representadas legalmente por advogadas da organização não-governamental (ONG) Women’s Link, denunciaram no Ministério Público da Audiência Nacional de Espanha, em 05 de janeiro deste ano, terem sido vítimas de agressões sexuais e tráfico humano por parte do artista.

As advogadas da ONG disseram que o facto de Julio Iglesias ter nacionalidade espanhola possibilitava que fosse alvo de queixa em Espanha, apesar de os alegados crimes terem ocorrido noutros territórios.

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Além da equipa jurídica da Women’s Link, a ONG Amnistia Internacional Espanha, de defesa dos direitos humanos, “decidiu apoiar as denunciantes” e pediu que o caso fosse investigado.

Na sequência da queixa, o Ministério Público de Espanha decidiu ouvir as duas mulheres, numa fase de “investigação pré-processual”, para decidir se avançava ou não com a investigação.

As denúncias foram tornadas públicas em 13 de janeiro, depois de o jornal espanhol elDiario.es e a estação de televisão norte-americana Univision Noticias terem publicado os testemunhos das alegadas vítimas.

As duas mulheres queixam-se de terem sido vítimas de agressões sexuais e outros crimes entre janeiro e outubro de 2021, quando tinham 22 e 28 anos de idade.

As denúncias, citadas pelas juristas que as representam, fazem referência a alegados factos que poderiam constituir “tráfico de seres humanos com fins de imposição de trabalho forçado e servidão”, assim como “vários delitos contra a liberdade e a intimidação sexuais tais como assédio sexual e agressão sexual”, a par de lesões e vários crimes contra os direitos dos trabalhadores “pela imposição de condições laborais abusivas”.

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Nos testemunhos publicados pelo elDiario.es, as duas mulheres descrevem violações e outras agressões sexuais, assim como bofetadas, insultos e várias outras humilhações físicas e verbais, a par de jornadas laborais de 16 horas, controlo das comunicações e mensagens nos telemóveis ou exames médicos forçados.

Num comunicado divulgado em 16 de janeiro, Julio Iglesias disse que as acusações das duas ex-empregadas são falsas.

“Com profundo pesar respondo às acusações realizadas por duas pessoas que anteriormente trabalharam na minha casa. Nego ter abusado, coagido ou faltado ao respeito a uma mulher”, disse o cantor, de 82 anos.

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