Porta-vozes do Kremlin ameaçam destruir o Reino Unido com ataque nuclear durante ‘negociações de paz’

Ameaças surgiram após quase quatro horas de conversações noturnas no Kremlin entre Vladimir Putin e os emissários de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner

Francisco Laranjeira
Janeiro 23, 2026
13:34

Porta-vozes e comentadores próximos do Kremlin ameaçaram publicamente destruir o Reino Unido com mísseis nucleares, afirmando que o país poderia “deixar de existir”, ao mesmo tempo que a Rússia mantinha contactos diplomáticos com enviados de Donald Trump para discutir um eventual caminho para a paz na Ucrânia. As declarações foram transmitidas pela televisão estatal russa e citadas pelo tabloide ‘Daily Star’.

As ameaças surgiram após quase quatro horas de conversações noturnas no Kremlin entre Vladimir Putin e os emissários de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner. No final do encontro, Moscovo voltou a afastar qualquer possibilidade de fim da guerra sem que a Ucrânia ceda a região de Donbass, deixando claro que não está disposta a abdicar dos seus objetivos territoriais.

Apesar de estarem previstas novas negociações presenciais entre representantes russos, ucranianos e americanos, agendadas para esta sexta-feira e sábado em Abu Dhabi, o presidente russo não deu sinais de recuar na estratégia de fragmentar a Ucrânia como condição para um acordo.

Durante este contexto diplomático, a televisão estatal russa emitiu ameaças explícitas contra o Reino Unido. Sergei Karaganov, conselheiro de Putin conhecido como “Professor Apocalipse”, afirmou que a Grã-Bretanha deveria ser um dos alvos prioritários de um ataque nuclear. Segundo Karaganov, Moscovo teria capacidade para lançar um ataque “desarmante e devastador”, advertindo que, em caso de resposta, os ataques russos seriam dirigidos às cidades britânicas, levando ao desaparecimento do país.

As declarações foram apresentadas como parte de uma estratégia que, segundo o próprio, deveria ser “óbvia” e comunicada aos “inimigos britânicos”, num discurso que ridicularizou as tentativas de alcançar uma paz que mantivesse a Ucrânia como um Estado viável.

O principal propagandista televisivo do Kremlin, Vladimir Solovyov, reforçou a retórica, defendendo o uso do drone submarino nuclear Poseidon contra o Reino Unido, com o objetivo de provocar um tsunami que afundaria o país. Solovyov apontou Londres como um inimigo “muito mais sistemático” da Rússia, acusando o Reino Unido de russofobia histórica e sugerindo que poderia vir a fornecer componentes para armas nucleares ou táticas à Ucrânia.

Segundo o ‘Daily Star’, Solovyov chegou mesmo a afirmar que atacaria primeiro a Grã-Bretanha, ironizando que, após o país ficar submerso, o mais importante seria garantir que os navios russos não colidissem com o Big Ben.

Estas ameaças surgem num momento em que o Reino Unido ainda não aderiu ao chamado “Conselho de Paz” proposto por Donald Trump. A secretária dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, justificou a posição britânica com preocupações legais e políticas, sublinhando a falta de sinais concretos de compromisso de Vladimir Putin com um processo de paz real na Ucrânia.

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