Entraria num avião construído por robots? Airbus avança com tecnologia humanoide

Graças à combinação de redes neurais e algoritmos avançados, estas máquinas já correm meias maratonas, jogam futebol, praticam boxe, realizam tarefas domésticas e executam funções em fábricas, onde a sua adoção é cada vez mais visível

Francisco Laranjeira
Janeiro 25, 2026
10:30

Os robôs humanoides deixaram de ser uma promessa futurista para se tornarem uma presença crescente no mundo do trabalho. Graças à combinação de redes neurais e algoritmos avançados, estas máquinas já correm meias maratonas, jogam futebol, praticam boxe, realizam tarefas domésticas e executam funções em fábricas, onde a sua adoção é cada vez mais visível.

O exemplo mais conhecido é o Optimus, da Tesla, que já opera nas linhas de produção de veículos da empresa liderada por Elon Musk. Também a BMW anunciou um acordo com a americana Figure para utilizar robôs humanoides em todas as suas fábricas. Agora, a indústria aeronáutica prepara-se para seguir o mesmo caminho.

Airbus aposta em robôs humanoides na construção de aviões

De acordo com o site espanhol ’20Minutos’, a empresa chinesa UBTech assinou um novo acordo com a Airbus para integrar robôs humanoides no processo de construção de aeronaves. Embora os detalhes do entendimento não tenham sido tornados públicos, tudo indica que o modelo Walker S2 será incorporado na linha de montagem.

A intenção da Airbus passa por utilizar o androide como apoio direto aos trabalhadores humanos. “A ideia é que o robô auxilie na construção de novos aviões, tirando partido da sua destreza e da sua capacidade de adaptação”, explica a empresa, num movimento que reforça a cooperação entre humanos e máquinas no ambiente industrial.

Segundo o ’20Minutos’, esta integração poderá trazer vantagens adicionais em tarefas logísticas e de manuseamento, áreas onde os robôs humanoides começam a demonstrar ganhos claros de eficiência.

Da indústria automóvel à robótica em larga escala

O acordo com a Airbus surge num contexto de rápida expansão da robótica humanoide no setor industrial. A Hyundai, por exemplo, já anunciou planos para produzir milhares de unidades do robô Atlas a partir de 2028, com o objetivo de os integrar nas suas fábricas.

O Atlas distingue-se pela robustez: consegue levantar até 50 quilos, operar à chuva e até trocar a própria bateria, características que ilustram a evolução técnica destes androides e explicam o interesse crescente das grandes multinacionais.

Walker S2: o robô que pode trabalhar 24 horas por dia

Apresentado em julho do ano passado, o Walker S2, da UBTech Robotics, foi concebido especificamente para tarefas de logística, manufatura inteligente e execução de operações complexas de manuseamento.

O robô mede 1,76 metros de altura, pesa 70 quilos e dispõe de 52 graus de liberdade no corpo, além de 11 graus de liberdade em cada mão. Cada braço é capaz de mover cargas até 15 quilos, o que o torna apto para múltiplas tarefas industriais.

Em termos tecnológicos, integra um sistema autónomo com bateria dupla intercambiável, bem como as plataformas de inteligência artificial BrainNet 2.0 e Co-Agent, que combinam raciocínio multimodal com gestão autónoma de tarefas. Conta ainda com visão estereoscópica binocular RGB, algoritmos avançados de equilíbrio dinâmico e uma velocidade de deslocação que pode atingir 7,2 quilómetros por hora.

Segundo a UBTech Robotics, o Walker S2 é “o primeiro robô humanoide do mundo capaz de trocar autonomamente a própria bateria”, o que lhe permite operar de forma contínua durante 24 horas, sem necessidade de intervenção humana.

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