Uma nova abordagem de edição genética desenvolvida na Universidade da Califórnia, em São Francisco, conseguiu tratar diferentes tipos de cancro em modelos animais, ao reprogramar células do sistema imunitário diretamente no organismo, eliminando a necessidade de processos laboratoriais complexos, avança o El Economista.
A inovação surge como alternativa à terapia CAR-T, considerada uma das mais avançadas no combate a cancros do sangue, mas que implica um processo longo e dispendioso. Atualmente, este tratamento exige a recolha de células do doente, a sua modificação em laboratório e posterior reinfusão, um procedimento que pode demorar semanas e custar entre 400 mil e 500 mil dólares (cerca de 370 mil a 460 mil euros).
O novo método permite alterar geneticamente as células T diretamente dentro do corpo — um processo designado por produção “in vivo” —, reduzindo drasticamente o tempo de espera e os custos associados, o que poderá tornar estas terapias acessíveis a um número muito maior de pacientes.
Este avanço baseia-se na utilização da tecnologia CRISPR-Cas9, que funciona como uma “tesoura molecular” capaz de modificar genes com elevada precisão. Os investigadores desenvolveram um sistema de partículas que transporta tanto as ferramentas de edição genética como o ADN necessário para programar as células imunitárias a reconhecer e destruir células cancerígenas.
Nos testes realizados em ratinhos com sistema imunitário humanizado, uma única administração do tratamento eliminou praticamente todo o cancro detetável em apenas duas semanas. O método revelou-se eficaz não só contra leucemia agressiva e mieloma múltiplo, mas também contra tumores sólidos — tradicionalmente mais difíceis de tratar com este tipo de terapia.
Outro dado relevante é que as células modificadas dentro do organismo demonstraram um desempenho superior às produzidas em laboratório, mantendo melhor capacidade de multiplicação e resposta imunitária, o que pode traduzir-se em tratamentos mais eficazes.
Mais à frente, o El Economista sublinha que esta tecnologia poderá também eliminar a necessidade de quimioterapia prévia, um dos passos mais agressivos do processo atual, especialmente difícil para doentes mais frágeis.
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda terá de ser testada em humanos através de ensaios clínicos que confirmem a sua segurança e eficácia. Os investigadores já criaram uma empresa para acelerar o desenvolvimento clínico desta abordagem.
Se os resultados se confirmarem, esta nova geração de terapias poderá reduzir custos, encurtar drasticamente os tempos de tratamento e permitir que hospitais fora dos grandes centros especializados passem a oferecer soluções avançadas contra o cancro, marcando um possível ponto de viragem no acesso global à medicina de precisão.




