Comprar casa em Portugal implica quase três décadas de rendas

A análise do Imovirtual mostra que 25 dos 29 distritos portugueses, correspondendo a 86% do total, registam rácios superiores a 25 anos.

Executive Digest
Janeiro 22, 2026
11:02

A diferença entre comprar e arrendar casa em Portugal mantém-se marcada por fortes assimetrias. De acordo com dados do Imovirtual, adquirir habitação no país implica, em média, o equivalente a 28,5 anos de rendas, um valor que ajuda a explicar porque o arrendamento continua a ser, em grande parte do território, a opção financeiramente mais vantajosa.

O indicador resulta do rácio entre o preço médio de venda e o valor anual de arrendamento, uma métrica amplamente utilizada a nível internacional para avaliar o equilíbrio entre as duas opções. Em benchmarks internacionais, rácios situados entre 20 e 30 anos são considerados elevados. Em Portugal, a média nacional aproxima-se do limite superior desse intervalo, refletindo um contexto particularmente exigente para quem pondera comprar casa.

A análise do Imovirtual mostra que 25 dos 29 distritos portugueses, correspondendo a 86% do total, registam rácios superiores a 25 anos. Este dado evidencia que, na maioria do país, o tempo necessário para compensar a compra de casa face ao arrendamento é elevado, traduzindo um esforço financeiro prolongado para os compradores.

Este cenário reflete a combinação entre preços médios de venda elevados e níveis de rendas que, apesar da subida registada nos últimos anos, continuam relativamente mais baixos quando comparados com o valor de aquisição dos imóveis.

Apesar da média nacional elevada, existem diferenças significativas entre regiões. Os distritos do interior destacam-se por apresentarem rácios substancialmente mais baixos, criando condições mais equilibradas para a compra de habitação. Castelo Branco, Guarda e Bragança surgem como exemplos, com rácios que, em alguns casos, se aproximam dos 13 a 17 anos.

Estes valores refletem mercados menos pressionados pela procura e preços de venda mais acessíveis, tornando estas regiões especialmente atrativas para quem procura maior estabilidade ou beneficia de modelos de trabalho remoto.

Em contraste, as áreas metropolitanas e alguns mercados com forte componente turística apresentam rácios muito mais elevados entre o preço médio de venda e o valor anual de arrendamento. Lisboa regista um rácio de 32,8 anos, enquanto Porto apresenta 29,8 anos e Setúbal 31,9 anos. Braga surge com 32,5 anos, Aveiro com 33,8 anos e Faro lidera com 35,3 anos.

Nestes mercados, os preços de venda encontram-se significativamente acima da capacidade de rendimento associada às rendas, favorecendo decisões de arrendamento, sobretudo para quem valoriza flexibilidade, mobilidade profissional ou prefere adiar o investimento na compra de casa.

Nas ilhas, a realidade do mercado habitacional é ainda mais fragmentada. A dimensão reduzida dos mercados, a oferta limitada e fatores como o turismo e a procura por segunda habitação contribuem para a existência de rácios muito elevados, dificultando uma leitura homogénea da relação entre compra e arrendamento.

Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados confirmam que a decisão entre comprar ou arrendar casa em Portugal é cada vez mais dependente do contexto regional, do perfil de quem procura habitação e do seu projeto de vida.

“O trabalho remoto está a permitir que profissionais acedam à casa própria em zonas do interior com rácios mais equilibrados, entre 13 e 17 anos, enquanto as áreas metropolitanas continuam a ser mais atrativas para quem privilegia flexibilidade”, refere.

A responsável acrescenta ainda que, olhando para 2026, uma eventual descida das taxas de juro poderá tornar um maior número de distritos competitivos para a compra de habitação, reforçando a importância de uma análise ajustada às necessidades específicas de cada família.

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