DBRS prevê aceleração de fusões e aquisições nas telecom europeias este ano

Mesmo em Portugal os operadores históricos têm considerado que uma consolidação será inevitável

Executive Digest com Lusa

A DBRS prevê uma aceleração das fusões e aquisições nas telecomunicações na Europa este ano, bem como parcerias e vendas de ativos, face à concorrência persistente e o lento crescimento orgânico, de acordo com as perspetivas hoje divulgadas.

“Diante da concorrência persistente e do lento crescimento orgânico, esperamos que as operadoras de telecomunicações acelerem as fusões e aquisições, as parcerias e as alienações de ativos em 2026”, lê-se na Morningstar DBRS.

“Antecipamos uma tendência crescente de consolidação nos principais mercados europeus, à medida que as operadoras buscam alívio das guerras de preços e da duplicação de redes”, prossegue a agência de notação financeira.

Em mercados como França e Itália, “há relatos de discussões em andamento entre empresas estabelecidas e concorrentes para combinar operações ou redes, visando melhorar a rentabilidade. Mesmo onde fusões completas não são viáveis, as operadoras estão a intensificar acordos de partilha de rede, joint-ventures de torres e outros modelos de colaboração para alcançar maior eficiência de custos”, acrescenta.

Aliás, mesmo em Portugal os operadores históricos têm considerado que uma consolidação será inevitável.

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Nos últimos anos, “praticamente todas as principais empresas de telecomunicações europeias venderam infraestrutura de torres ou transferiram antenas de telefonia móvel para joint-ventures, libertando capital e reduzindo dívidas”, recorda a DBRS.

Igualmente, rivais uniram recursos para a implementação do 5G e a implantação de fibra ótica em muitos países, partilhando “o ónus dos altos investimentos de capital”.

Ora, estas “movimentações estratégicas — seja por meio de consolidação direta ou ganhos de eficiência cooperativos — são cruciais para melhorar a alavancagem operacional num setor que continua sendo intensivo em capital”.

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Relativamente às iniciativas de Soberania Digital e inteligência artificial (IA), a agência de notação financeira refere que “as operadoras de telecomunicações estão a posicionar-se como facilitadoras essenciais das ambições da Europa em relação à nuvem soberana e à IA, aproveitando infraestrutura confiável e, ao mesmo tempo, equilibrando oportunidades de crescimento com riscos de execução e investimento”.

Quanto às receitas das operadoras, a expectativa é que continuem a apostar na diversificação das fontes.

“Com o crescimento no ‘core’ da conectividade limitado, as operadoras estão a expandir seletivamente para serviços digitais e empresariais de maior valor agregado para diversificar as receitas e sustentar a estabilidade dos lucros a médio prazo”, refere a DBRS.

Também se assiste a um realinhamento estratégico e de estrutura de mercado: “as operadoras de telecomunicações europeias estão a reavaliar a sua presença geográfica e a concentrar-se em mercados principais para lidar com a receita média por cliente (ARPU) estruturalmente baixa, a concorrência fragmentada e a alta intensidade de capital persistente”, acrescenta.

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