De robôs humanoides a namoradas virtuais, 2025 ficou marcado por inovações tão estranhas quanto transformadoras. Agora, um novo relatório da fundação de investigação Nesta identifica as tendências globais que poderão moldar o mundo em 2026, algumas com potencial para mudar profundamente o quotidiano.
Segundo o ‘Daily Mail’, o estudo aponta um conjunto de temas emergentes que vão desde a possibilidade, ainda remota, de bebés nascerem no espaço até ao crescimento alarmante da extração ilegal de areia, passando pela entrada mais profunda da inteligência artificial nos Governos e pela chegada da publicidade ao interior das casas.
Bebés no espaço deixam de ser ficção científica
Uma das tendências mais inesperadas diz respeito ao espaço. Com a aceleração da nova corrida espacial, liderada por Estados Unidos, China e bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos, os investigadores alertam que 2026 poderá ser o primeiro ano em que a humanidade terá de ponderar seriamente o que acontece se um bebé nascer fora da Terra.
Estudos recentes demonstraram que espermatozoides e óvulos conseguem sobreviver no espaço e gerar descendência saudável, mas permanecem muitas incógnitas sobre os efeitos da microgravidade e da radiação no desenvolvimento fetal. Acresce uma questão legal ainda sem resposta: que nacionalidade teria um bebé nascido no espaço, um território que não pode pertencer a nenhum Estado, levantando o risco de apatridia.
A areia, um recurso banal com impacto global
Mais próxima da realidade quotidiana surge outra preocupação destacada no relatório: o aumento da extração ilegal de areia. Apesar de aparentemente insignificante, a areia é um dos recursos mais consumidos no planeta, essencial para a construção e para tecnologias como os chips de silício.
Estimativas citadas pelo ‘Daily Mail’ apontam para um mercado ilegal que poderá movimentar entre 200 e 350 mil milhões de dólares a nível mundial. Em regiões como o sudeste asiático, a retirada descontrolada de areia tem provocado erosão, aumentado o risco de cheias e alimentado redes de crime organizado.
Inteligência artificial entra nos Governos e nas casas
O relatório da Nesta sublinha também o papel crescente da inteligência artificial na governação. Em alguns países, a IA começa a assumir funções consultivas de alto nível, levantando dúvidas sobre transparência, responsabilidade política e controlo democrático, apesar das promessas de maior eficiência.
Em paralelo, as casas poderão tornar-se a nova fronteira da publicidade digital. A integração de anúncios em eletrodomésticos e ecrãs domésticos ligados à internet levanta preocupações sérias sobre privacidade e proteção de dados, com especialistas a alertarem para a comercialização de espaços até agora considerados privados.
Inovações que prometem facilitar o dia a dia
Nem todas as tendências identificadas têm um lado negativo. O estudo aponta avanços que poderão tornar a vida mais simples, como novas tecnologias para prevenir buracos nas estradas, materiais mais resistentes e até robôs capazes de reparar fissuras assim que surgem.
Também os transportes públicos poderão mudar, com a aposta em rotas personalizadas de autocarros, definidas a partir da procura real dos passageiros, um modelo já testado em algumas grandes cidades asiáticas.
Para Laurie Smith, responsável pela área de Mission Discovery da Nesta, 2026 deverá ser “um ano repleto de novidades, tanto corriqueiras como extraordinárias”, com impacto real na forma como as pessoas vivem, trabalham e se deslocam.














