Créditos imobiliários ‘roubam’ espírito natalício: custo da habitação leva europeus a cortar no Natal

Um inquérito realizado junto de mais de 20 mil pessoas em 23 países revela que cerca de 75% dos europeus tiveram de reduzir despesas nos últimos 12 meses para conseguirem pagar o crédito imobiliário

Francisco Laranjeira

As dificuldades associadas ao custo de vida estão a levar muitos europeus a moderar as celebrações de Natal em 2025, com um número crescente de famílias a abdicar de encontros sociais e a optar por planos mais discretos. O aumento dos custos da habitação está a assumir um papel central nesta contenção, condicionando tanto anfitriões como convidados, de acordo com a Euronews.

Um inquérito realizado junto de mais de 20 mil pessoas em 23 países revela que cerca de 75% dos europeus tiveram de reduzir despesas nos últimos 12 meses para conseguirem pagar o crédito imobiliário. A pressão é particularmente intensa na Irlanda e na Hungria, onde 90% dos proprietários afirmam ter apertado o cinto, segundo o relatório ‘Housing Trend Report 2025’, citado pela Euronews.



A situação é ainda mais grave na Roménia e em Malta, com 93% dos inquiridos a admitirem cortes significativos, enquanto Itália lidera entre as cinco maiores economias europeias, com 86% dos compradores de casa a reduzir gastos. Para mais de um quarto dos europeus inquiridos, os constrangimentos financeiros são tão severos que diminuem a motivação para organizar qualquer reunião natalícia.

Os finlandeses surgem como os mais relutantes em abrir as portas de casa, com 40% a optarem por celebrações discretas, num contexto em que as taxas de pobreza aumentaram desde 2015. Também na Roménia e na Hungria, cerca de um terço da população prefere passar o Natal em ambiente mais reservado, evitando encontros alargados.

Em Portugal, neste particular, 28% dos inquiridos reconheceu ter constrangimentos financeiros fortes o suficiente para diminuir o número de pessoas em casa durante a época festiva.

A pressão económica faz-se sentir igualmente nas deslocações. Em média, os europeus passam 2,3 horas na estrada para celebrar com familiares e amigos, embora os turcos registem as viagens mais longas, com uma média de 4,5 horas. No extremo oposto estão os holandeses, que viajam apenas 1,3 horas, enquanto 40% dos inquiridos referem deslocações inferiores a uma hora.

Os efeitos do aperto financeiro estendem-se a outros hábitos de consumo. As saídas noturnas, discotecas e festivais são os primeiros a ser sacrificados, com 41% dos europeus a cortarem neste tipo de despesas para fazer face à hipoteca. A Grécia destaca-se, com 58% a reduzir o orçamento para lazer noturno, enquanto na Lituânia apenas 21% afirmam conseguir fazê-lo.

A alimentação e o álcool surgem como o segundo maior alvo de cortes, com 38% a reduzir gastos, percentagem que atinge 61% em Malta. As férias ocupam o terceiro lugar, com 37% dos europeus a planear ficar em casa, incluindo mais de metade dos polacos e irlandeses. Outras áreas afetadas incluem vestuário, eletrónica, serviços de subscrição e passatempos.

De forma mais preocupante, 13% dos inquiridos admitem estar a cortar em bens essenciais do dia a dia, como produtos de higiene pessoal, uma realidade particularmente acentuada na Alemanha e na Finlândia, onde essa percentagem sobe para 22%, segundo dados divulgados pela ‘Euronews’.

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