Os preços dos alimentos voltaram a subir em Portugal, com destaque para os brócolos, a couve-flor e os medalhões de pescada, que registaram aumentos entre os 8% e os 12% apenas na última semana. Segundo a mais recente análise da DECO PROteste, divulgada hoje, o cabaz alimentar monitorizado pela associação aumentou 61 cêntimos, passando a custar 244,95 euros, o que representa uma subida de 0,25% face à semana anterior. Comparando com há um ano, está 10,02 euros mais caro.
De acordo com o relatório, os brócolos foram o produto que mais encareceu, registando uma subida de 12% em apenas sete dias — um aumento de 38 cêntimos por quilo, que eleva o preço médio para 3,47 euros/kg. Já a couve-flor subiu 10%, passando a custar 2,70 euros/kg, mais 25 cêntimos do que na semana anterior. Também os medalhões de pescada registaram um acréscimo de 8%, ou 50 cêntimos, atingindo agora 6,78 euros/kg.
A DECO PROteste acompanha a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais desde janeiro de 2022, com atualizações semanais. Todas as quartas-feiras, a associação analisa os preços recolhidos no dia anterior nas principais cadeias de supermercados com loja online, para calcular o custo total do cabaz.
Primeiro, é determinado o preço médio de cada produto nas várias lojas virtuais incluídas no simulador da DECO PROteste. Depois, ao somar os preços médios de todos os itens, obtém-se o valor total do cabaz para a data em análise.
Atualmente, o cabaz é composto por 63 produtos, que representam bens essenciais consumidos pelas famílias portuguesas, incluindo carne, peixe, hortofrutícolas, laticínios e mercearia.
Produtos com maiores aumentos
Entre 5 e 12 de novembro, além dos brócolos, da couve-flor e dos medalhões de pescada, destacaram-se também aumentos nos cereais de fibra (mais 8%), na couve-coração (mais 7%) e na perca (mais 7%).
Quando comparados com os preços da primeira semana de 2025, os produtos que mais encareceram foram os ovos (mais 32%), o café torrado moído (mais 29%) e novamente os brócolos (mais 24%). Desde o início da monitorização, em janeiro de 2022, as maiores subidas percentuais foram registadas na carne de novilho para cozer (mais 97%), nos ovos (mais 85%) e no bife de peru (mais 65%).



Três anos de aumentos alimentares
Os especialistas da DECO PROteste recordam que a invasão russa da Ucrânia, em 2022, teve um impacto profundo nos preços dos alimentos, já que o país era um dos principais fornecedores de cereais à União Europeia. A guerra, somada às consequências da pandemia de covid-19 e à seca prolongada, provocou uma redução da oferta de matérias-primas e um aumento dos custos de produção, sobretudo em energia e fertilizantes.
Esta combinação levou à escalada dos preços de produtos essenciais como carne, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleos vegetais, refletindo-se diretamente no bolso dos consumidores.
Em resposta, o Governo português implementou em abril de 2023 uma isenção de IVA sobre um conjunto de mais de 40 alimentos essenciais, o que inicialmente travou o aumento dos preços. Contudo, poucos meses depois, o impacto da medida dissipou-se e os preços voltaram a subir.
Após a reposição do IVA em 2024, a tendência manteve-se, com novos máximos em produtos como o azeite virgem extra, que atingiu recordes de preço em abril do mesmo ano. Já em 2025, as subidas têm sido particularmente sentidas nos ovos, no café torrado moído e até no chocolate.
Os aumentos sucessivos nos preços dos alimentos contribuíram para taxas de inflação históricas em 2022, que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), atingiram uma média anual de 7,8% nesse ano. Em 2023, o valor desceu para 4,3%, e em 2024 estabilizou em torno dos 2,4%.
Em abril de 2025, contudo, a inflação voltou a acelerar, antes de abrandar em outubro, pelo segundo mês consecutivo, para 2,3%, segundo as estimativas mais recentes do INE.




