Durante a época de gripes e constipações, os vírus e bactérias circulam com facilidade — e nem sempre é a tosse ou o espirro que os espalha. As roupas, por mais inofensivas que pareçam, podem funcionar como um verdadeiro reservatório de germes, alertam especialistas citados pela publicação ‘HuffPost’.
Segundo o microbiologista Jason Tetro, conhecido como “O Homem dos Germes”, as fibras têxteis são “superfícies porosas que retêm microrganismos com facilidade”. O especialista explica que qualquer contacto com superfícies contaminadas ou o simples ato de suar pode permitir que os germes fiquem presos nas roupas. Apesar disso, o risco de adoecer apenas por tocar num tecido contaminado é reduzido — o perigo aumenta quando as fibras estão húmidas e o utilizador leva as mãos à boca ou ao nariz.
Alguns microrganismos conseguem sobreviver nos tecidos durante semanas. “Dependendo das condições, bactérias e fungos podem permanecer viáveis por até 90 dias”, afirmou Tetro, acrescentando que os vírus tendem a resistir por períodos mais curtos. No entanto, para que ocorra infeção, é necessária uma quantidade significativa de partículas, o que nem sempre acontece através do vestuário.
Entre os vírus mais persistentes está o norovírus, conhecido por causar gastroenterites e capaz de sobreviver durante um mês em praticamente qualquer condição. É também altamente contagioso, e bastam pequenas quantidades de partículas para provocar doença. A infeciologista Anne Liu, da Stanford Medicine, lembra que este vírus não é eliminado por desinfetantes à base de álcool, ao contrário do que acontece com os vírus respiratórios.
Os especialistas alertam que os tecidos sintéticos, como o poliéster, tendem a reter vírus e bactérias durante mais tempo do que fibras naturais, como algodão ou lã. Isto deve-se à sua composição oleosa, que favorece a adesão e multiplicação de microrganismos na superfície do tecido.
Como lavar e desinfetar corretamente a roupa
Apesar dos riscos, os especialistas garantem que não é preciso entrar em pânico. Lavar a roupa com detergente comum e secá-la a alta temperatura é, em geral, suficiente para eliminar a maioria dos germes. O calor — acima dos 60 graus Celsius — é um aliado eficaz contra micróbios.
Tetro recomenda o uso de detergentes com enzimas, capazes de decompor microrganismos, e o especialista em lavandaria Patric Richardson sugere adicionar lixívia à base de oxigénio, que liberta peróxido de hidrogénio quando misturada com água. Além disso, é aconselhável limpar o tambor da máquina de lavar uma vez por mês com água quente e desinfetante, e usar ferro ou vaporizador em roupas que não possam ser lavadas a alta temperatura.
Higiene e prevenção continuam a ser essenciais
Os especialistas recordam ainda a importância de práticas básicas de prevenção, como o uso de máscara quando se está doente, a lavagem frequente das mãos e a limpeza regular de superfícies de contacto. Medidas simples que continuam a ser eficazes para travar a propagação de vírus, mesmo fora da época de gripes e constipações.







