Eurodeputados discutem mais direitos na maternidade e voto por procuração

O Parlamento Europeu pretende alterar a lei eleitoral da União Europeia (UE) para introduzir disposições sobre maternidade dos seus membros e permitir o voto por procuração, reforçando os direitos nesta matéria, segundo uma proposta da presidente da instituição.

Executive Digest com Lusa

O Parlamento Europeu pretende alterar a lei eleitoral da União Europeia (UE) para introduzir disposições sobre maternidade dos seus membros e permitir o voto por procuração, reforçando os direitos nesta matéria, segundo uma proposta da presidente da instituição.

“É muito complicado alterar o regimento desta casa [Parlamento Europeu] e nós levamos isso também extremamente a sério. Atualmente, estou a tentar fazer uma alteração ao regimento, que espero que seja bem-sucedida, permitindo finalmente a introdução de disposições sobre a maternidade nesta casa”, disse a líder da assembleia europeia, Roberta Metsola, em entrevista à Lusa e outras agências no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom, na sigla inglesa).

Isso significa “que é necessária unanimidade no Conselho e maiorias bastante fortes em duas comissões [do Parlamento Europeu]”, acrescentou.

“Espero que consigamos e estou cautelosamente otimista”, adiantou Roberta Metsola.

Atualmente, as eurodeputadas grávidas têm o direito de serem dispensadas de reuniões três meses antes e seis meses após o parto.

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A ideia é reforçar tais direitos e alargá-los a outros casos de paternidade e, para tal, está a ser debatida uma proposta uma mudança interna para incluir oficialmente a maternidade na lista de ausências extraordinárias que permitem a um eurodeputado justificar a sua falta nas sessões até três meses antes e seis meses depois.

A introdução mais significativa será, ainda assim, a da figura do voto à distância (por procuração) das eurodeputadas em licença de maternidade.

Assim, o Parlamento Europeu apresentará uma alteração específica à Lei Eleitoral da UE a fim de estabelecer a possibilidade de votar em plenário por meio de um procurador em caso de maternidade.

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Os detalhes do sistema serão posteriormente implementados nas regras internas do Parlamento Europeu.

“A Europa precisa de mais mulheres na política. Não nos podemos limitar a encorajá-las a candidatarem-se às eleições, mas também devemos garantir que possam permanecer e exercer os seus direitos como eurodeputadas, se assim o desejarem durante a maternidade”, disse ainda Roberta Metsola.

Esta será uma mudança bastante específica na Lei Eleitoral da UE, de acordo com fontes europeias, que o justificam com a necessidade de aprovação por unanimidade pelos países europeus, nem sempre abertos a tais reformas.

No âmbito desta iniciativa proposta por Roberta Metsola, já foi enviada uma carta formal à comissão dos Assuntos Constitucionais do Parlamento Europeu para a alteração da lei eleitoral, bem como à comissão dos Assuntos Jurídicos para a subsequente alteração do estatuto dos Deputados ao Parlamento Europeu.

As discussões estão em curso, devendo a comissão dos Assuntos Constitucionais nomear um relator em breve.

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O objetivo de Roberta Metsola é que as alterações ao estatuto dos eurodeputados possam arrancar antes do outono.

Se forem adotadas, as reformas irão tornar o Parlamento Europeu num dos parlamentos mais modernos e inclusivos do mundo no que respeita às regras de maternidade.

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