Investimento imobiliário fora dos centros urbanos: Oportunidade ou Risco?

Poucos temas têm ganho tanta relevância social, económica e política nos últimos tempos como o setor imobiliário. Crítico e decisivo para o bem-estar da comunidade, o imobiliário assume um papel central, com impacto profundo nas famílias e em todos os agentes económicos.

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Por Cláudio Sousa e Pedro Alferes, Maxfinance PontoCrédito

Poucos temas têm ganho tanta relevância social, económica e política nos últimos tempos como o setor imobiliário. Crítico e decisivo para o bem-estar da comunidade, o imobiliário assume um papel central, com impacto profundo nas famílias e em todos os agentes económicos.

Assim sendo, propomos, num contexto caracterizado pela “escassez de oferta imobiliária”, analisar o investimento imobiliário fora dos centros urbanos.

A procura nacional de habitação, estimulada pelo pacote de apoio à aquisição de habitação para jovens até 35 anos, somada à procura crescente por estrangeiros, turistas e imigrantes, tem potenciado a tensão no mercado imobiliário, transferindo o poder negocial para a oferta, com os preços a baterem recordes sucessivos.

Com mais famílias a acederem ao mercado imobiliário e num contexto marcado pela recente descida das Euribor, a subida generalizada dos preços da habitação, especialmente nos “grandes centros urbanos” como Lisboa, Porto, Algarve e Madeira, impõe desafios significativos aos compradores. Os orçamentos familiares estão cada vez mais pressionados pelos custos com a habitação, levando muitos a enfrentarem o dilema: o que comprar e, sobretudo, onde comprar?

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Chegados aqui, permitem-nos questionar: “dentro ou fora dos centros urbanos?”  e refletir sobre a definição de distância nas suas diferentes medidas (habitualmente metros/quilómetros).

Podemos (e devemos) considerar a distância-tempo (minutos, horas…), a distância financeira (custo) e a distância emocional (aquela que nos liga às pessoas, à história, às rotinas).

De acordo com a relevância que cada família atribui às diferentes definições de distância referidas, obtemos o conceito de distância ideal, aquela em que conseguimos projetar a zona ideal para viver (que pode variar ao longo do tempo).

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Comprar um imóvel em distância mais próxima (quilómetros) não significa estar na distância ideal.

Se atendermos à distância-tempo (minutos) e financeira (custo do imóvel e custo da deslocação), a título de exemplo, na zona envolvente ao eixo do Oeste, Bombarral, Cadaval e Caldas da Rainha (perdoem todas as outras localizações não mencionadas) encontramos preços de habitação inferiores e alternativas efetivas ao automóvel, pela utilização de transportes coletivos, ferroviários e rodoviários (operadores públicos e privados), sem prejudicar a distância-tempo à zona metropolitana, neste caso, de Lisboa.

Devemos, pragmaticamente, assumir a dimensão do nosso território. Na verdade, todo o nosso país “é logo ali”.

O trade-off dentro ou fora dos centros urbanos resulta da distância ideal para cada família.

Num país geograficamente pequeno, devemos promover uma mudança de mindset.

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Na distância ideal, podemos ter preços de aquisição, construção, remodelação ou reparação menos pressionados e alternativas ao uso individual do automóvel, com uma qualidade de vida tão boa ou melhor do que a que conhecemos.

Alguns projetos estruturantes poderão acelerar esta mudança, promovendo o aumento do stock de imóveis no país, tanto novos como usados. Entre eles, destaca-se a necessidade de agilizar os processos de licenciamento, realocar o stock de imóveis do setor público estatal, adotar e promover novos processos e métodos construtivos, assim como atrair e formar mão de obra qualificada para o setor da construção. Importa ainda implementar alterações na fiscalidade, como a redução do IVA na construção, a revisão das mais-valias (nomeadamente no caso dos contribuintes seniores) e a diminuição dos encargos fiscais na aquisição de habitação, independentemente do critério etário.

Paralelamente, uma rede ferroviária em renovação, uma rede escolar reforçada e alargada com foco no pré-escolar, um ensino politécnico e superior próximo e presente em todo o país, o desenvolvimento de parques industriais e tecnológicos, bem como a promoção de um turismo integrado, são igualmente fatores que contribuem para essa transformação.

Assim, as alterações verificadas com a possibilidade crescente do teletrabalho, a segurança, os equipamentos sociais nas diferentes dimensões (educação, saúde, justiça, cultura, desporto…), o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e os custos implícitos associados à vida nas “grandes” cidades apelam a novas escolhas na habitação.

Neste esforço de mudança, a banca, a mediação imobiliária e a intermediação de crédito assumem também um papel relevante.

A intermediação de crédito, estando na dupla antecâmara de entrada no mercado imobiliário e no sistema bancário, deverá recentrar-se num onboarding efetivamente centrado nos clientes e nas suas necessidades/distância ideal, despertando-os para todas as dimensões que a decisão de aquisição de habitação e financiamento terá no seu projeto de vida e orçamento familiar.

O país “é logo ali”. O investimento imobiliário fora dos grandes centros urbanos é uma oportunidade.

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