Mercados podem estar demasiado otimistas com cortes nas taxas de juro já em 2025, alertam economistas

A economia mundial tem resistido melhor do que o esperado à incerteza política e ao impacto das tarifas comerciais, mas essa resiliência pode contrariar as expectativas dos mercados quanto a cortes nas taxas de juro já este ano.

Fábio Carvalho da Silva e André Mendes

A economia mundial tem resistido melhor do que o esperado à incerteza política e ao impacto das tarifas comerciais, mas essa resiliência pode contrariar as expectativas dos mercados quanto a cortes nas taxas de juro já este ano.

A conclusão é do mais recente relatório Economic and Strategy Viewpoint – Q3 2025, assinado por David Rees, George Brown, Tina Fong e Irene Lauro, economistas da Schroders.

Segundo a análise, apesar da desaceleração em economias dependentes das exportações, a atividade global continua sólida e deverá crescer 2,5% em 2025 e 2,6% em 2026, acima do consenso de mercado. Esta dinâmica é suportada por condições financeiras mais favoráveis e pela redução da incerteza política após o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, os especialistas alertam que “o crescimento robusto, a inflação elevada e os constrangimentos de capacidade” tornam improvável que a Reserva Federal inicie cortes de juros já no terceiro trimestre, como muitos investidores antecipam. A equipa prevê que a redução das taxas só aconteça em 2026, sob pena de um afrouxamento prematuro alimentar uma inflação ainda mais persistente.

Na zona euro, a perspetiva mantém-se positiva, com a recuperação apoiada por políticas monetária e orçamental mais acomodatícias. No entanto, os economistas acreditam que o ciclo de descida de taxas do Banco Central Europeu já terminou.

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O Reino Unido enfrenta um cenário distinto: embora o crescimento do PIB dificilmente ultrapasse 1%, as limitações de capacidade e a pressão inflacionista – que poderá superar os 4% nos próximos meses – deverão impedir o Banco de Inglaterra de cortar taxas no futuro próximo, mantendo a taxa diretora em 4%.

Já a China continua a enfrentar dificuldades estruturais. Após um arranque de ano positivo, o abrandamento das exportações, a diminuição do estímulo orçamental e o excesso de capacidade no setor imobiliário mantêm o país preso a um “ciclo deflacionário”, com impacto no crescimento nominal.

O panorama é mais favorável para o resto dos mercados emergentes. A desvalorização do dólar abriu espaço para cortes de juros em vários países, estimulando a procura interna. A Índia lidera este movimento e o Brasil poderá seguir o mesmo caminho até ao final do ano.

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