O Trump Burger, uma cadeia de restaurantes pouco convencional localizada no Texas, tornou-se notícia não apenas pelo seu menu inspirado na figura do ex-presidente norte-americano Donald Trump, mas também pelas dificuldades legais do seu proprietário, Roland Beainy, prestes a ser deportado dos Estados Unidos. O estabelecimento combina fast food com propaganda política: desde retratos de Trump à entrada, passando por pães gravados com o nome do ex-presidente e pratos com referências à família Trump, como o “Melania Crispy Chicken” ou o “Barron Burger”.
No restaurante de Houston, os clientes são recebidos por uma decoração carregada de simbolismo político. Uma cliente que visitou o local pela primeira vez afirmou à imprensa: “Não estou ao corrente de quem é o dono nem nada disso. Só quero experimentar.” Entre os pratos mais destacados, a “Trump Burger” inclui queijo, alface, tomate e as chamadas “freedom fries”, batatas fritas apelidadas pelos republicanos durante o mandato de George W. Bush para evitar o termo “batatas francesas”.
Além do menu, o Trump Burger comercializa merchandising como t-shirts, bonés, canecas e jogos de cartas, todos alusivos ao movimento MAGA (Make America Great Again). No entanto, toda a ideologia política que impulsiona o negócio não conseguiu proteger Roland Beainy da ação das autoridades de imigração.
Proprietário enfrenta processo de deportação
Roland Beainy, libanês de 28 anos que se descreve como um “magnata culinário”, entrou nos EUA em 2019 como visitante não imigrante, com obrigação de sair do país antes de fevereiro de 2024. Como não cumpriu este prazo, foi detido em maio de 2025 pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). Um mês depois, obteve liberdade provisória sob fiança enquanto decorre o processo de deportação.
Em comunicado, o ICE afirmou: “Apesar das falsas afirmações, Beainy não conta com nenhum benefício migratório que tenha impedido o seu arresto ou expulsão de Estados Unidos. O ICE está comprometido em restaurar a integridade do sistema migratório da nossa nação, responsabilizando todas as pessoas que ingressem ilegalmente ou excedam o prazo de admissão, independentemente do restaurante que possuam ou das suas crenças políticas”.
Beainy tem partilhado mensagens nas suas redes sociais sobre a situação, incluindo frases motivacionais como: “A força não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se mais rápido cada vez que o fazes”. Um empregado do restaurante garantiu que as notícias sobre a sua deportação eram falsas e que o proprietário estava presente no estabelecimento no dia das declarações.
Expansão do negócio e disputa com a Organização Trump
O primeiro Trump Burger abriu em 2020 na pequena cidade de Bellville, a oeste de Houston, e o sucesso levou à abertura de outras três filiais, incluindo em Houston. Contudo, Donald Trump nunca autorizou o uso do seu nome para fins comerciais. Em fevereiro de 2025, advogados do ex-presidente enviaram uma carta aos restaurantes acusando-os de “enganar o público”, alegando que não existe qualquer ligação entre Trump Burger e a Organização Trump. A empresa exigiu a remoção de toda a publicidade alusiva ao presidente, ameaçando com ações legais caso não fosse cumprido.
Beainy solicitou residência alegando um casamento com uma cidadã americana, mas o Departamento de Segurança Nacional (DHS) negou evidências do matrimónio. Em declarações à Fox News, o DHS classificou a situação como “uma farsa projetada para manipular o sistema” e referiu que “esta pessoa não possui cartão de residência permanente, tem antecedentes de casamentos ilegais e está acusada de agressão”. As autoridades estão a explorar todas as vias legais para resolver este alegado abuso das leis de imigração.
Beainy, em entrevista ao Houston Chronicle, rejeitou as acusações: “90% daquilo que dizem não é verdade”, apesar de ter sido aconselhado pelos advogados a não comentar o caso.














