A Comissão Europeia afirmou que qualquer ameaça dirigida a um Estado-membro deve ser entendida como uma ameaça a toda a União Europeia, reagindo às declarações do presidente americano, Donald Trump, que ameaçou cortar relações comerciais com Espanha. A informação foi avançada pelo jornal ‘The Observer’, que cita responsáveis europeus após o agravamento das tensões entre Washington e Madrid.
De acordo com a publicação britânica, o comissário europeu responsável pelo Mercado Interno, Stéphane Séjourné, declarou em Bruxelas que “uma ameaça contra um Estado-membro é, por definição, uma ameaça contra a União Europeia”. O responsável sublinhou ainda que a política comercial é uma competência exclusiva da UE e que, por isso, qualquer tentativa de pressionar um país europeu tem implicações para todo o bloco.
“Quero ser muito claro aqui, deste ponto de vista, a competência da UE no comércio é, na verdade, tratada pela Comissão”, apontou Séjourné. “Se ameaçares um país em particular… bem, já vimos isso sobre a Gronelândia. Acho que vimos que havia muita unidade.”
As declarações surgem depois de Donald Trump ter ameaçado impor um embargo comercial total a Espanha, numa reação à decisão do Governo de Madrid de não permitir que os Estados Unidos utilizem bases militares espanholas para operações relacionadas com ataques ao Irão.
O presidente americano criticou duramente o executivo espanhol durante uma intervenção na Casa Branca, afirmando que pretende “cortar todo o comércio” com o país. “Não queremos ter nada a ver com a Espanha”, declarou.
A Comissão Europeia respondeu que está preparada para defender os interesses comerciais da União Europeia caso as ameaças se concretizem. Citado pelo ‘The Observer’, o porta-voz adjunto da Comissão, Olof Gill, garantiu que Bruxelas está “em total solidariedade com todos os Estados-membros e os seus cidadãos” e pronta para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses económicos do bloco.
A reação europeia surge num momento de crescente tensão entre Washington e Madrid. O Governo espanhol tem mantido uma posição crítica relativamente à ofensiva militar contra o Irão e recusou autorizar o uso de bases militares no seu território para operações relacionadas com esse conflito.
A solidariedade europeia estendeu-se também a Paris. O presidente francês, Emmanuel Macron, contactou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, para expressar apoio face às ameaças americanas.
O chefe do Governo espanhol indicou igualmente ter falado com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que manifestaram solidariedade institucional com Espanha.
Segundo o ‘The Observer’, o episódio sublinha a sensibilidade das relações comerciais entre a União Europeia e os Estados Unidos, numa altura em que o comércio bilateral continua profundamente interligado e considerado mutuamente benéfico por ambas as partes.














