Irão promete retaliação “mais forte do que o golpe anterior” caso país volte a ser atacado

O líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, lançou esta quarta-feira um novo aviso à comunidade internacional, afirmando que Teerão responderá com ainda maior força caso volte a ser alvo de ataques.

Pedro Zagacho Gonçalves

O líder supremo do Irão, ayatollah Ali Khamenei, lançou esta quarta-feira um novo aviso à comunidade internacional, afirmando que Teerão responderá com ainda maior força caso volte a ser alvo de ataques. As declarações surgem semanas após o fim do conflito de 12 dias com Israel, que incluiu também bombardeamentos norte-americanos sobre alvos militares e nucleares iranianos.

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“Se o inimigo repetir a sua agressão, a resposta será mais forte do que o golpe que recebeu durante a guerra de 12 dias”, afirmou Khamenei numa comunicação transmitida pela televisão estatal iraniana, referindo-se diretamente ao conflito iniciado a 13 de junho.

Durante o discurso, o líder iraniano acusou Israel de ter como objetivo a desestabilização interna do país, alegando que os ataques israelitas procuraram atingir não só infraestruturas militares, mas também elementos-chave do regime iraniano.

“O cálculo e o plano dos agressores era enfraquecer o sistema, atacando certas figuras e centros sensíveis no Irão. O objetivo era provocar instabilidade e levar o povo para as ruas para derrubar o sistema”, afirmou.

Numa retórica fortemente ideológica, Khamenei classificou o confronto com os Estados Unidos e o seu aliado israelita como parte de uma luta maior, chamando Israel de “cão com trela” dos EUA e descrevendo o confronto como “louvável”.

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“Combater os Estados Unidos e o seu cão com trela, Israel, é algo louvável”, disse, numa referência clara ao que o regime considera uma guerra contra a influência ocidental.

Entretanto, os meios de comunicação estatais iranianos deram conta de uma potencial escalada nuclear. Teerão poderá aumentar o enriquecimento de urânio a níveis compatíveis com armamento nuclear e admite abandonar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) caso as potências europeias ativem o mecanismo de sanções automáticas da ONU (o chamado snapback). Esse ultimato, com prazo até ao final de agosto, foi estabelecido pelos EUA, França, Alemanha e Reino Unido, no contexto do impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

A crescente tensão levou a uma resposta do Presidente norte-americano, Donald Trump, que reiterou a postura agressiva de Washington:

“Eles [os iranianos] gostariam de conversar. Mas não tenho pressa, porque obliterámos os seus locais [nucleares]”, afirmou Trump esta terça-feira, após aterrar na Casa Branca a bordo do helicóptero presidencial Marine One.

As declarações de Khamenei vêm reforçar o clima de incerteza que se vive na região. Apesar do cessar-fogo entre o Irão e Israel, a retórica beligerante do líder iraniano demonstra que a trégua não representa, necessariamente, o fim das hostilidades. A situação continua marcada por instabilidade e risco de escalada, num contexto onde os Estados Unidos mantêm operações militares de pressão e Israel reafirma a sua posição de contenção agressiva contra ameaças nucleares.

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Ao mesmo tempo, a comunidade internacional observa com preocupação o deteriorar das relações entre Teerão, Washington e Telavive, num momento em que qualquer incidente poderá reacender o conflito e comprometer a segurança regional.

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