UE alia-se às forças armadas nacionais e da NATO em preparação para catástrofe cibernética

Ministros, no Luxemburgo para uma reunião da União Europeia sobre política de telecomunicações, aprovaram uma atualização do “plano de segurança cibernética” do bloco, que define os mecanismos de resposta da Europa a grandes incidentes de segurança cibernética

Francisco Laranjeira

A União Europeia vai trabalhar mais de perto com as forças armadas nacionais e a aliança de defesa da NATO para responder a ataques cibernéticos em larga escala: os ministros, no Luxemburgo para uma reunião da União Europeia sobre política de telecomunicações, aprovaram uma atualização do “plano de segurança cibernética” do bloco, que define os mecanismos de resposta da Europa a grandes incidentes de segurança cibernética.

Dariusz Standerski, ministro polaco dos Assuntos Digitais que presidiu a reunião desta sexta-feira, indicou, ao ‘Brussels Playbook do POLITICO’, que o seu país enfrenta diariamente cerca de 700 incidentes cibernéticos. “A Polónia é o país mais atacado na esfera cibernética da UE. No entanto, não podemos garantir que os outros Estados-membros não serão os principais alvos no próximo ano? É por isso que precisamos estar preparados juntos”, referiu.

O novo documento deixou claro quais as instituições — nos níveis técnico, operacional e político — que reagiriam a ataques de larga escala: apelou ainda a uma cooperação mais forte com a NATO, estabelecendo “pontos de contacto” em caso de uma crise cibernética.

“O aumento das tensões geopolíticas, dos conflitos e da rivalidade estratégica reflete-se no impacto, no volume e na sofisticação das atividades cibernéticas maliciosas”, referiu o documento.

A UE disse que começará a realizar exercícios cibernéticos contínuos para treinar simulações de crise em junho de 2026. Espera-se que eles incluam o setor privado e a NATO, e podem envolver autoridades de países dos Balcãs Ocidentais, Moldávia e Ucrânia.

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A resposta da Europa às ameaças cibernéticas “deve … incluir uma coordenação mais estreita entre os atores civis e militares e uma ampla abordagem horizontal sobre segurança cibernética”, refletiu o ministro da Segurança Comunitária e Preparação para Emergências da Dinamarca, Torsten Schack Pedersen.

Tais ataques cibernéticos e agressões “podem fazer parte de campanhas híbridas ou operações militares. Também podem afetar diretamente a segurança, a economia e a sociedade da União”, de acordo com o documento do projeto. “Além disso, têm potencial de contágio, especialmente quando essas atividades são direcionadas a países parceiros estratégicos internacionais, como países candidatos ou vizinhos”, afirma o projeto.

O documento também aborda comunicações seguras, solicitando à Comissão Europeia que proponha uma solução até o final de 2026, bem como que a UE e os Governos nacionais desenvolvam um plano de contingência para crises em que os canais normais de comunicação sejam interrompidos.

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