Ucrânia apresenta lista de desejos para missão de manutenção da paz para travar Rússia

Reunião é liderada pelo ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, e o seu colega britânico, John Healey, que estão reunidos com os ministros da Defesa da chamada “coligação dos dispostos”, que inclui muitos países europeus, Canadá e Austrália, mas não os Estados Unidos, na sede da NATO em Bruxelas

Francisco Laranjeira

Os principais aliados da Ucrânia estão reunidos esta quinta-feira para discutir os detalhes de uma eventual missão de paz na Ucrânia caso haja um cessar-fogo com a Rússia: a reunião é liderada pelo ministro da Defesa francês, Sébastien Lecornu, e o seu colega britânico, John Healey, que estão reunidos com os ministros da Defesa da chamada “coligação dos dispostos”, que inclui muitos países europeus, Canadá e Austrália, mas não os Estados Unidos, na sede da NATO em Bruxelas.

As reuniões procuram ajudar a concretizar o que Kiev gostaria de uma missão de paz — algo que vê como essencial para impedir que a Rússia ataque novamente, especialmente porque os EUA e outros países bloquearam as suas esperanças de ser convidada a se juntar à NATO.

“Discutimos a presença de tropas estrangeiras em terra, no céu e no mar. Defesa aérea, bem como outras questões estratégicas delicadas. Os nossos parceiros entendem as necessidades da Ucrânia. Há alguns pontos geográficos sensíveis onde gostaríamos de ter um reforço”, indicou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, citado pelo jornal ‘POLTIICO’.

“Discutimos não apenas a quantidade de tropas, mas também a questão do mandato dessas tropas e da infraestrutura. Datas e entender em que ponto das negociações podemos realmente contar com um contingente são importantes para mim”, continuou Zelensky.

Cerca de uma dúzia de países podem estar dispostos a se juntar à coligação e enviar tropas para a Ucrânia, apontou Pavlo Palisa, vice-chefe do gabinete de Zelensky e seu principal conselheiro de Defesa. “Também se fala na participação dos países bálticos e nórdicos. De qualquer forma, isso pode ser implementado através de acordos bilaterais com cada país membro da coligação.”

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No entanto, muitos países, incluindo o Reino Unido, estão relutantes em enviar os seus soldados para a Ucrânia sem algum tipo de apoio dos EUA, incluindo apoio aéreo, logístico e de inteligência, algo que é improvável com Trump. Ao mesmo tempo, Moscovo já garantiu que qualquer envio de tropas aliadas sem um mandato das Nações Unidas seria inaceitável.

O debate entre os aliados europeus da Ucrânia é se as forças que eles pretendem enviar seriam grandes o suficiente para deter um ataque russo. No entanto, Kiev está confiante de que o processo está bem encaminhado. A única questão é em que formato isso será implementado. É por isso que as discussões estão em marcha. “Existe a nossa visão básica e existe a visão dos nossos parceiros com base nas suas capacidades. Depois de terem sido acordados todos os detalhes, poderemos passar para uma conversa mais substancial”, disse Palisa.

A Ucrânia também acredita que quaisquer tropas ocidentais enviadas ao país serão acompanhadas por extensas defesas aéreas e outras medidas de proteção que também ajudarão a manter os ucranianos seguros. “Por exemplo, se uma brigada francesa entrar numa determinada área do território, mesmo que esteja mobilizada com uma densidade mínima — por exemplo, três soldados por quilómetro —, ela ainda terá de fornecer cobertura aérea. Este é um padrão de planeamento militar”, apontou Palisa – uma brigada tem entre 3 e 5 mil soldados.

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E isso significa mais sistemas de defesa aérea, capacidades de guerra eletrónica, interação mais coordenada com a aviação, proteção para quaisquer forças navais estrangeiras, logística confiável. “Esta é uma questão complexa que exige um planeamento cuidadoso, levando em consideração muitos fatores. É nisso que estamos a trabalhar atualmente”, concluiu Palisa.

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