A Páscoa é, logo a seguir ao Natal, a época do ano em que se consome mais chocolate, com prateleiras repletas de coelhinhos e ovos coloridos. Mas, por trás de muitas das opções que encontramos nos supermercados, escondem-se ingredientes que nada têm a ver com o verdadeiro sabor do chocolate — e que até se encontram mais frequentemente em velas do que em doces. Especialistas em chocolate alertam para três sinais de alerta que devem ser tidos em conta antes de comprar estas guloseimas pascais.
Antes de colocar um chocolate no cesto, vale a pena observar atentamente o aspeto do produto. Segundo Bill Brown, mestre chocolateiro e proprietário da William Dean Chocolates, na Florida, em entrevista ao HuffPost, “se o chocolate for baço, mole ou apresentar um aspeto esbranquiçado, isso pode indicar que é de menor qualidade ou que não foi devidamente temperado”. O aspeto brilhante e quase espelhado é sinal de que o chocolate foi bem trabalhado, resultando numa textura suave e sedosa ao trincar.
A aparência pode também levantar outras questões — como a presença de corantes artificiais. A chocolateira Denise Castronovo, fundadora da Castronovo Chocolate, alerta para um aditivo em particular: “Um aditivo a ter especialmente em atenção este ano é o corante Red Dye No. 3. A FDA [agência norte-americana que regula alimentos e medicamentos] já proibiu o seu uso, mas os fabricantes têm até janeiro de 2027 para o remover dos seus produtos.” Este corante está associado a potenciais riscos para a saúde, pelo que os chocolates com tons de rosa ou vermelho muito vivos devem ser vistos com desconfiança.
E, se possível, também se recomenda cheirar o chocolate. Ron Sweetser, responsável pela seleção e qualidade do cacau na Dandelion Chocolates, em São Francisco, sublinha: “Cheira a chocolate? Deve cheirar. E não apenas a doce.”
Ingredientes que denunciam o chocolate de baixa qualidade
A lista de ingredientes é um dos maiores indicadores da qualidade de um chocolate. Para Denise Castronovo, não é preciso ser cientista alimentar para reconhecer um bom chocolate — basta virar a embalagem ao contrário. “Chocolate de alta qualidade tem poucos ingredientes, e o cacau (isto é, grãos de cacau) deve ser o primeiro da lista, não o açúcar”, explica.
No caso do chocolate negro, bastam dois ingredientes: cacau e açúcar. Já o chocolate de leite de qualidade deve conter apenas cacau, açúcar, manteiga de cacau e leite. E o branco, por sua vez, deve incluir manteiga de cacau, açúcar, leite e, opcionalmente, baunilha verdadeira.
A ordem dos ingredientes conta: se o açúcar ou adoçantes alternativos aparecem em primeiro ou segundo lugar, isso significa que o chocolate contém pouco cacau e é, provavelmente, de fraca qualidade. Erica Gilmour, fundadora da Hummingbird Chocolate, no Ontário (Canadá), refere que “qualquer tipo de óleo de palma ou outros óleos vegetais (exceto manteiga de cacau) estão a ser usados como enchimentos baratos ou como substituto da verdadeira manteiga de cacau. Isso é sinal de chocolate de baixa qualidade”.
Outros ingredientes suspeitos incluem vanilina (um substituto sintético da baunilha), parafina (uma cera alimentar) e outros aditivos utilizados para baratear a produção e prolongar a durabilidade, mas que nada contribuem para o sabor.
Preço muito baixo pode ser sinal de alarme
Embora um preço elevado não garanta necessariamente chocolate de qualidade, o inverso tende a ser verdade: preços muito baixos são quase sempre indicativos de má qualidade.
Erica Gilmour sublinha esta relação: “Apesar de não podermos confiar apenas no preço para garantir que o chocolate é bom, é certo que chocolate muito barato não é de boa qualidade. Um preço muito baixo é logo um sinal revelador.” Tendo em conta os preços atuais do cacau, que se encontram em máximos históricos, um chocolate a um valor muito acessível levanta sérias dúvidas quanto à sua composição.
Gilmour acrescenta que, para uma tablete de 60 gramas, um consumidor deve esperar pagar entre 5 e 7 dólares (cerca de 4,70 a 6,60 euros), sendo os 8 dólares (7,50 euros) considerados um valor de gama premium. Qualquer valor abaixo dos 4 dólares (3,80 euros) é, muito provavelmente, sinal de chocolate de qualidade inferior.
Escolhas mais conscientes para uma Páscoa mais saborosa
Entre coelhinhos reluzentes e ovos coloridos, o aspeto pode enganar, mas com atenção aos sinais — desde o brilho da superfície à lista de ingredientes e ao preço — é possível evitar desilusões e optar por chocolates realmente saborosos e com melhores práticas de produção.
Para os verdadeiros apreciadores, menos é mais: poucos ingredientes, mais cacau, nada de corantes duvidosos nem óleos vegetais. E, acima de tudo, um aroma e textura que convidem a saborear a Páscoa com prazer e consciência.













