Operação Pretoriano: Fernando Madureira tinha mais de 31 mil euros em saco de papel debaixo da cama

A revelação foi feita esta segunda-feira em tribunal por Rui Costa, agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) responsável pela condução das buscas domiciliárias ao casal Madureira, no âmbito da Operação Pretoriano, que investiga episódios de violência na Assembleia Geral extraordinária do FC Porto, em novembro de 2023.

Executive Digest

Fernando Madureira, conhecido como “Macaco”, ex-líder da claque Super Dragões do FC Porto, tinha um saco de papel com 31.550 euros escondido debaixo da cama. A revelação foi feita esta segunda-feira em tribunal por Rui Costa, agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) responsável pela condução das buscas domiciliárias ao casal Madureira, no âmbito da Operação Pretoriano, que investiga episódios de violência na Assembleia Geral extraordinária do FC Porto, em novembro de 2023.

As buscas tiveram lugar às 7h da manhã de 31 de janeiro deste ano, na residência de Fernando Madureira e da sua esposa, Sandra Madureira, ambos presentes no local. Segundo o relato do agente Rui Costa, o casal encontrava-se na cama quando a equipa tática da PSP, enviada especialmente de Lisboa, forçou a entrada na moradia. “O casal estava na cama à nossa chegada. Apreendi um telemóvel e fui informado pelo senhor Madureira que era dele. Foi apreendido um saco de papel com 31.550 euros”, afirmou em tribunal, segundo o Público, acrescentando que, além desta quantia, foram encontrados mais 620 euros em numerário noutros locais do quarto.

Durante a audiência, o advogado de Fernando Madureira, Gonçalo Cerejeira Namora, questionou a legalidade da apreensão do dinheiro e de veículos de luxo, considerando que a investigação se centra em crimes de violência relacionados com a Assembleia Geral do clube. Rui Costa justificou a medida com base nas orientações recebidas previamente: “Foi uma das indicações que me deram, apreender as quantias monetárias que encontrássemos. Pareceu-me relevante”, declarou o agente, referindo-se a um briefing realizado antes das buscas, no qual participaram todos os operacionais.

Entre os bens apreendidos constam três viaturas de luxo: dois automóveis da marca BMW e um Porsche, alegadamente pertencentes ao casal. Rui Costa confirmou não ter tido qualquer interação com os filhos de Fernando e Sandra, que também estavam na residência durante a operação.

As buscas motivaram uma queixa formal do casal Madureira, entretanto arquivada pelas autoridades. Por outro lado, os agentes envolvidos na ação apresentaram uma denúncia contra os líderes da claque portista, num processo que se encontra ainda na fase de inquérito.

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A Operação Pretoriano visa apurar os responsáveis por um clima de intimidação e violência que marcou a Assembleia Geral do FC Porto, em novembro passado. De acordo com o Ministério Público, o grupo liderado por Madureira protagonizou agressões físicas a sócios do clube e constrangimentos à liberdade de informação.

No total, foram constituídos 12 arguidos, todos acusados de 31 crimes: 19 de coação agravada, sete de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, três de atentado à liberdade de informação, um de instigação pública a um crime e um de arremesso de objeto.

Fernando Madureira, de 49 anos, é o mais conhecido entre os arguidos. Durante cerca de duas décadas foi a face mais visível da principal claque do FC Porto, acumulando notoriedade também fora dos estádios pelo seu estilo de vida ostentoso, marcado por carros de alta gama, viagens de luxo e habitações de elevado valor.

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Para além dos acontecimentos relacionados com a Assembleia Geral do clube, Madureira é ainda alvo de outras duas investigações. Uma delas, denominada Operação Bilhete Dourado, está centrada num alegado esquema de venda de bilhetes do FC Porto a preços inflacionados. Segundo o Ministério Público, Madureira liderava um sistema paralelo em que ingressos atribuídos à claque ao abrigo de protocolos com o clube eram revendidos com lucro.

A terceira investigação incide sobre suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. As autoridades procuram perceber se os lucros obtidos através da venda dos bilhetes e outras atividades ilícitas terão sido ocultados por mecanismos de dissimulação de rendimentos.

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