Dezenas de buscas e 200 inspetores em investigação da PJ a suspeitas de corrupção na aquisição de bens e serviços para organismos do Estado

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou esta manhã uma vasta operação de investigação que envolve cerca de 250 inspetores e abrange 75 buscas em vários pontos do país, com foco na aquisição de bens e serviços para organismos do Estado. Entre os locais alvo das diligências encontra-se o Banco de Portugal.

Pedro Gonçalves

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou esta manhã uma vasta operação de investigação que envolve cerca de 250 inspetores e abrange 75 buscas em vários pontos do país, com foco na aquisição de bens e serviços para organismos do Estado. Entre os locais alvo das diligências encontra-se o Banco de Portugal. A investigação está centrada em suspeitas de corrupção e outros crimes económicos relacionados com contratos na área da tecnologia e da informação, com um prejuízo estimado na ordem das dezenas de milhões de euros.

As buscas estão a decorrer em Lisboa, Porto e Braga e envolvem domicílios, escritórios de contabilidade, sedes de empresas, institutos públicos e serviços do Estado. Segundo o Ministério Público (MP), os alvos não incluem decisores políticos, mas visam a recolha de informação sobre funcionários e contratos estabelecidos com entidades privadas. A investigação é coordenada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e conta com o apoio de 50 peritos em polícia científica.

O MP revelou em comunicado que “estão em causa condutas relacionadas com aquisições de serviços na área da Tecnologia de Informação, por várias entidades públicas e por uma entidade privada, entre os anos de 2017 e 2025”. No centro das suspeitas está um grupo de indivíduos que, “em conjugado esforço e de forma premeditada, viciaram dezenas de procedimentos de contratação pública e privada”, resultando num prejuízo superior a 17 milhões de euros.

As autoridades suspeitam que os factos investigados possam configurar vários crimes, incluindo participação económica em negócio, acesso ilegítimo com violação de confidencialidade, abuso de poder, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos, falsidade informática, fraude na obtenção de subsídios, fraude fiscal qualificada, tráfico de influências, associação criminosa e branqueamento de capitais.

Até ao momento, não há detenções, estando a investigação focada na obtenção de provas documentais e digitais que sustentem as suspeitas.

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A ministra da Justiça, ao tomar conhecimento das buscas, expressou surpresa e solicitou “um reporte factual sobre as operações inspetivas”. Uma fonte do Ministério da Justiça confirmou à CNN Portugal que a ministra determinou que “seja prestado todo o apoio necessário aos inspetores” envolvidos na investigação.

Por sua vez, o Banco de Portugal confirmou a presença da PJ nas suas instalações e garantiu estar a cooperar totalmente com as autoridades.

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