De depressão a ansiedade, passando pela solidão: um estudo do Instituto de Saúde Pública de Universidade do Porto (ISPUP) sobre o impacto de gentrificação e insegurança habitacional tem consequências na saúde dos habitantes, em particular idosos e crianças, da cidade do Porto, revelou esta terça-feira o ‘Jornal de Notícias’.
Ana Isabel Ribeiro, coordenadora do estudo, salientou que a gentrificação está a ter “consequências claras na saúde dos portuenses”, desde “solidão, depressão” e a deterioração da condição física – os moradores confessaram sofrer de ansiedade e dificuldade em dormir, sentem-se deprimidos, sintomas que começaram quando souberam a necessidade de mudar de habitação.
“A mudança de residência, geralmente para áreas menos centrais ou até para outras localidades, leva a uma reconfiguração do espaço onde se desenrola o quotidiano, implicando deslocações maiores e mais frequentes e mudança de hábitos relevantes para a saúde, por exemplo, na prática de atividade física”, referiu o estudo, salientando que “os idosos são os mais afetados”. “Os idosos que mudam mais frequentemente de casa apresentam os níveis mais elevados de solidão”, relevou a especialista.
A solidão torna-se mais intensa quando o idoso vive em condições habitacionais precárias, “como a falta de aquecimento, infiltrações, humidade e iluminação insuficiente. Viver em áreas com elevado nível de ruído, poluição e criminalidade também contribui para o aumento da solidão e reduz a perceção de um envelhecimento saudável”. No entanto, estende-se a crianças até aos 10 anos. “Registam uma diminuição da performance cognitiva e são mais vulneráveis ao envolvimento em situações de violência como o bullying”, reforçou Ana Isabel Ribeiro.
“A insegurança habitacional, caracterizada por dificuldades financeiras, despejos e mudanças frequentes de residência, também deteriora a qualidade de vida, intensifica a solidão e está associada a uma pior função cognitiva”, concluiu-se.





