É oficial: Taxas de juro voltaram a descer. BCE avança com novo corte de 25 pontos-base

O Banco Central Europeu (BCE) deu mais uma machadada nas taxas de juro, e anunciou uma nova descida de 25 pontos-base na segunda reunião de política monetária do ano de 2025.

André Manuel Mendes

O Banco Central Europeu (BCE) deu mais uma machadada nas taxas de juro, e anunciou uma nova descida de 25 pontos-base na segunda reunião de política monetária do ano de 2025.

“O Conselho do Governador decidiu hoje reduzir as três principais taxas de juros do BCE em 25 pontos-base. Consequentemente, as taxas de juros sobre a facilidade de depósito, as principais operações de refinanciamento e a facilidade de empréstimo marginal serão reduzidas para 2,50%, 2,65% e 2,90%, respectivamente, com efeito a partir de 12 de março de 2025”, escreve o organismo liderado por Christine Lagarde em comunicado.



De acordo com o BCE, esta decisão é baseada na sua avaliação atualizada da perspectiva de inflação, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária.

No que respeita à inflação, admitem que esta se continua a desenvolver como o esperado, e as últimas projeções alinham-se de perto com a perspectiva de inflação anterior. O BCE vê agora a inflação geral em média 2,3% em 2025, 1,9% em 2026 e 2,0% em 2027. A revisão para alta na inflação geral para 2025 reflete uma dinâmica mais forte nos preços de energia. Já para a inflação que exclui energia e alimentos, o banco central projeta uma média de 2,2% em 2025, 2,0% em 2026 e 1,9% em 2027.

Relativamente à economia, o BCE reduziu novamente as suas projeções de crescimento – para 0,9% para 2025, 1,2% para 2026 e 1,3% para 2027. As revisões em baixa para 2025 e 2026 refletem “exportações mais baixas e fraqueza contínua no investimento, em parte originadas da alta incerteza da política comercial, bem como da incerteza política mais ampla”, esclarecem.

O que esperar das próximas reuniões?

Ricardo Evengelista, CEO da ActiveTrades Europe, acredita que “o mais provável é que o BCE continue a cortar as taxas de juro, mas a um ritmo mais lento do que o previsto até há pouco tempo. Espera-se que, após o corte de 25 pontos base em março, o banco central repita a dose pelo menos mais duas vezes até ao fim do ano, mantendo-se a dúvida sobre se tal acontecerá já em abril ou não”.

“O que virá a seguir, no entanto, não é tão claro. Acreditamos que é demasiado cedo para o banco estar a considerar uma pausa e os mercados estarão à procura de sinais de que este é realmente o caso”, acrescentam os especialistas da Ebury.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem afirmado que a inflação está a evoluir na direção certa, embora tenha alertado que a economia da Zona Euro deverá continuar a ser fraca a curto prazo. As tarifas adicionais de Trump aumentam a incerteza económica, e a economia europeia poderá precisar de mais estímulos para evitar um prolongado período de estagnação.

“O Conselho do Governador está determinado a garantir que a inflação se estabilize de forma sustentável em sua meta de médio prazo de 2%. Especialmente nas condições atuais de crescente incerteza, ele seguirá uma abordagem dependente de dados e reunião por reunião para determinar a postura apropriada da política monetária”, escreve o BCE no comunicado hoje divulgado.

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