O Banco Central Europeu (BCE) deu mais uma machadada nas taxas de juro, e anunciou uma nova descida de 25 pontos-base na segunda reunião de política monetária do ano de 2025.
“O Conselho do Governador decidiu hoje reduzir as três principais taxas de juros do BCE em 25 pontos-base. Consequentemente, as taxas de juros sobre a facilidade de depósito, as principais operações de refinanciamento e a facilidade de empréstimo marginal serão reduzidas para 2,50%, 2,65% e 2,90%, respectivamente, com efeito a partir de 12 de março de 2025”, escreve o organismo liderado por Christine Lagarde em comunicado.
We cut our key interest rates by 0.25 percentage points.
We are doing this because inflation is on track to settle at around our 2% target, and the economy is facing headwinds.
Read today’s monetary policy decisions https://t.co/rbgOSXWVRF pic.twitter.com/cHr9hMD42H
— European Central Bank (@ecb) March 6, 2025
De acordo com o BCE, esta decisão é baseada na sua avaliação atualizada da perspectiva de inflação, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária.
No que respeita à inflação, admitem que esta se continua a desenvolver como o esperado, e as últimas projeções alinham-se de perto com a perspectiva de inflação anterior. O BCE vê agora a inflação geral em média 2,3% em 2025, 1,9% em 2026 e 2,0% em 2027. A revisão para alta na inflação geral para 2025 reflete uma dinâmica mais forte nos preços de energia. Já para a inflação que exclui energia e alimentos, o banco central projeta uma média de 2,2% em 2025, 2,0% em 2026 e 1,9% em 2027.
Relativamente à economia, o BCE reduziu novamente as suas projeções de crescimento – para 0,9% para 2025, 1,2% para 2026 e 1,3% para 2027. As revisões em baixa para 2025 e 2026 refletem “exportações mais baixas e fraqueza contínua no investimento, em parte originadas da alta incerteza da política comercial, bem como da incerteza política mais ampla”, esclarecem.
O que esperar das próximas reuniões?
Ricardo Evengelista, CEO da ActiveTrades Europe, acredita que “o mais provável é que o BCE continue a cortar as taxas de juro, mas a um ritmo mais lento do que o previsto até há pouco tempo. Espera-se que, após o corte de 25 pontos base em março, o banco central repita a dose pelo menos mais duas vezes até ao fim do ano, mantendo-se a dúvida sobre se tal acontecerá já em abril ou não”.
“O que virá a seguir, no entanto, não é tão claro. Acreditamos que é demasiado cedo para o banco estar a considerar uma pausa e os mercados estarão à procura de sinais de que este é realmente o caso”, acrescentam os especialistas da Ebury.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, tem afirmado que a inflação está a evoluir na direção certa, embora tenha alertado que a economia da Zona Euro deverá continuar a ser fraca a curto prazo. As tarifas adicionais de Trump aumentam a incerteza económica, e a economia europeia poderá precisar de mais estímulos para evitar um prolongado período de estagnação.
“O Conselho do Governador está determinado a garantir que a inflação se estabilize de forma sustentável em sua meta de médio prazo de 2%. Especialmente nas condições atuais de crescente incerteza, ele seguirá uma abordagem dependente de dados e reunião por reunião para determinar a postura apropriada da política monetária”, escreve o BCE no comunicado hoje divulgado.




