A agência noticiosa ‘Associated Press’ garantiu ter sido impedida de estar presente na Sala Oval, na Casa Branca, durante a assinatura de uma ordem executiva de Donald Trump, como punição por continuar a usar o nome Golfo do México, em vez da mudança imposta pelo presidente republicano para Golfo da América.
“Como uma organização global de notícias, a Associated Press informa milhares de milhões de pessoas em todo o mundo todos os dias com jornalismo factual e imparcial”, salientou Julie Pace, editora executiva da AP. “Fomos informados pela Casa Branca que se a AP não alinhasse os seus padrões editoriais com a ordem executiva do presidente Donald Trump, renomeando o Golfo do México como Golfo da América, a AP seria impedida de estar presente num evento no Salão Oval. Esta tarde, o repórter da AP foi impedido de comparecer à assinatura de uma ordem executiva.”
“É alarmante que a Administração Trump puna a AP pelo seu jornalista independente. Limitar o nosso acesso ao Salão Oval, com base no conteúdo do discurso da AP, não apenas impede severamente o acesso do público a notícias independentes, como viola claramente a Primeira Emenda”, reforçou Pace.
Aaron Terr, da Fundação para os Direitos Individuais e a Expressão (Fire), chamou a medida de “um ataque alarmante à liberdade de imprensa”. “O papel da nossa imprensa livre é responsabilizar aqueles no poder, não agir como seu porta-voz. Qualquer esforço do Governo para corroer essa liberdade fundamental merece condenação.”
A Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA) protestou contra a decisão. “A Casa Branca não pode ditar como as organizações de notícias relatam as notícias, nem deve penalizar jornalistas em atividade porque está descontente com as decisões dos seus editores”, destacou Eugene Daniels, presidente da WHCA.
Recorde-se que pouco depois da sua tomada de posse, Donald Trump assinou uma ordem executiva para renomear tanto o Golfo do México como o Denali, o pico mais alto da América do Norte: assim, o Golfo do México seria renomeado para Golfo da América, e o Denali regressaria ao nome Monte McKinley — o nome que era chamado antes de Barack Obama mudá-lo em 2015.
A ‘AP’ lançou, pouco depois, o seu guia de estilo sobre a ordem de Trump, observando que a organização “irá referir-se [ao Golfo do México] pelo seu nome original, embora reconhecendo o novo nome que Trump escolheu”, justificando que o golfo carrega o nome há “mais de 400 anos” e que outros países e órgãos internacionais não precisam de reconhecer a mudança de nome.
Esse não é o caso do Monte McKinley: como a área da montanha do Alasca “fica somente nos Estados Unidos” e Trump tem autoridade total para mudar o nome, a AP disse que ela usará o nome Monte McKinley.














