Polícia espanhola detém três pessoas por tráfico de veículos de luxo para depois vender a jogadores de futebol da liga principal

Segundo o Corpo Nacional de Polícia (CNP), as prisões foram realizadas em novembro no âmbito de uma operação policial denominada URUS. Os detidos, dois homens e uma mulher, com idades entre 32 e 44 anos, estão a ser investigados pelos crimes de falsificação de documentos, usurpação de estado civil e burla

Francisco Laranjeira

A polícia espanhola deteve três pessoas, em novembro último, que estarão relacionadas com o tráfico ilícito de veículos importados de alto padrão que depois revendiam a jogadores de futebol dos principais clubes do país vizinho.

Segundo o Corpo Nacional de Polícia (CNP), as prisões foram realizadas em novembro no âmbito de uma operação policial denominada URUS. Os detidos, dois homens e uma mulher, com idades entre 32 e 44 anos, estão a ser investigados pelos crimes de falsificação de documentos, usurpação de estado civil e burla.



Um dos detidos, gerente e proprietário de um concessionário em Madrid, recebia ordens de clientes – a sua maioria jogadores de futebol de La Liga – enquanto os outros dois réus, gerentes em Barcelona, realizavam os procedimentos de registo em diversas sedes provinciais de trânsito.

A investigação começou no final de março de 2024, após uma denúncia de uma cidadã italiana residente numa cidade de Las Palmas, que afirmou ter recebido uma multa de trânsito relacionada com um Lamborghini Urus com placa provisória e que, segundo ela, não era seu. Esta multa de trânsito veio da área de Boadilla del Monte (Madrid).

A polícia espanola começou por investigar os procedimentos relacionados com o veículo em questão, tendo descoberto que os mesmos tinham sido realizados na Sede Provincial de Jaén, por uma agência municipal, encomendada por outra agência localizada na cidade de Barcelona.

O Lamborghini em questão era propriedade de um conhecido jogador da primeira liga de Espanha, que viria a mostrar um contrato de venda com um concessionário em Madrid, garantindo que não poderia realizar o processo de registo definitivo do veículo devido a circunstâncias alheias à sua vontade. Foi então aberta uma investigação sobre o concessionário de Madrid, especificamente de veículos de alta cilindrada, tendo sido encontradas “numerosas irregularidades” nos contratos elaborados para o efeito.

Os investigadores da polícia espanhola determinaram que ação criminosa envolveu a aquisição de veículos de luxo que estavam registados em nome de terceiros como proprietários, sem o seu conhecimento, cujas identidades e documentação foram fornecidos pelos gerentes de uma empresa em Barcelona. Assim, com essa usurpação da identidade, o revendedor envolvido ficou isento do pagamento de impostos especiais. Depois, uma vez regularizados os impostos sobre o veículo importado, os gestores de Barcelona procediam à transferência da propriedade dos veículos para as pessoas que efetivamente tinham celebrado o contrato de venda.

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