Ramalho Eanes considera que “mundo mudou para pior” e aquilo que era sagrado acabou

O ex-Presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje que “o mundo mudou para pior” e que acabou aquilo que se julgava que “era sagrado”, como a soberania e o direito dos povos.

Executive Digest com Lusa

O ex-Presidente da República Ramalho Eanes considerou hoje que “o mundo mudou para pior” e que acabou aquilo que se julgava que “era sagrado”, como a soberania e o direito dos povos.

“O mundo mudou, mudou para pior. Aquilo que julgávamos que era sagrado, que era a soberania, o direito dos povos, o direito das gentes, tudo isso acabou”, sustentou Ramalho Eanes, à margem de uma cerimónia em que foi agraciado com o Grande Prémio da Fundação Ilídio Pinho, no Porto, justificando a afirmação com as posições assumidas pelos Estados Unidos, Rússia e China.

Para o ex-chefe de Estado, aqueles “três grandes do mundo mostraram que tudo isto não é respeitável, não tem que ser considerado e isso representa, naturalmente, para as democracias pluripartidárias, democráticas liberais uma prioridade”.

Questionado sobre o eventual apoio a um candidato às eleições presidenciais de 2026, Ramalho Eanes afirmou que não iria responder a essa pergunta, limitando-se a afirmar que “certamente vão aparecer muitos candidatos” e que “é muito cedo falar sobre isso”.

No entanto, aquele que foi o primeiro Presidente da República eleito da democracia portuguesa admitiu que o facto de existirem tantos nomes apontados para aquele cargo “é um sinal de que a democracia está bem”.

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“Embora eu achasse mais interessantes que as apresentações fossem mais tarde, para que os portugueses olhassem para os seus problemas, para os problemas grandes que têm que resolver e não olhassem para a eleição presidencial, que é muito importante mas que só vai acontecer em 2026”, disse.

Sobre os problemas e desafios que Portugal enfrenta, o general alertou que “o país tem que olhar para determinados aspetos que são fundamentais para que tenha futuro”

“Não se percebe que em relação a esses aspetos fundamentais que são indispensáveis para que tenha futuro não haja entendimento, partidário, social, cultural”, disse.

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Para Ramalho Eanes, há “consensos mínimos” que devem ser conseguidos: “Consensos mínimos, sobre aquilo que é indispensável para que Portugal tenha um futuro feito pelos portugueses, e não o futuro que as circunstancias impõem porque os consensos exagerados matam a democracia”.

Ramalho Eanes foi hoje distinguido com o Grande Prémio Fundação Ilídio Pinho, naquela que foi a terceira edição do galardão que visa “homenagear um português de excelência que o país reconheça como um cidadão exemplar”.

Sobre aquela distinção, o ex-chefe de Estado, a discursar na cerimónia de entrega do galardão, que decorreu esta manhã na Câmara do Porto, explicou que não pretendia aceitá-la: “Eu não mereço, não merecia homenagens. Recusei liminarmente o prémio”.

Mas, contou, depois de alguma insistência e de ouvir os argumentos da mulher, Manuela Eanes, resolveu aceitar o prémio: “Não podia admitir que as personalidades do júri pudessem interpretar a minha decisão como manifestação de menos respeito”.

Ramalho Eanes aceitou, assim, receber a medalha, da autoria de Álvaro Siza, que recebeu o mesmo galardão em 2023, mas recusou o valor pecuniário de 100 mil euros associado ao prémio.

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“Desde muito cedo vi morrer homens em combate pelo país e como a pátria financeiramente pobre tratava os seus descendentes. Prometi que nunca receberia mais proveitos dos que me eram devidos pela minha atividade profissional”, justificou.

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