É oficial: Ano começa com nova descida das taxas de juro. BCE faz novo corte de 25 pontos-base

O Banco Central Europeu (BCE) arrancou o ano de 2025 com uma nova descida das taxas de juro. Na sua reunião de política monetária de janeiro, o executivo liderado por Christine Lagarde anunciou uma nova descida de 25 pontos-base.

André Manuel Mendes

O Banco Central Europeu (BCE) arrancou o ano de 2025 com uma nova descida das taxas de juro. Na sua reunião de política monetária de janeiro, o executivo liderado por Christine Lagarde anunciou uma nova descida de 25 pontos-base.

“O Conselho do BCE decidiu hoje reduzir as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base. Nessa conformidade, as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão reduzidas para, respetivamente, 2,75%, 2,90% e 3,15%, com efeitos a partir de 5 de fevereiro de 2025”, indica a decisão.

Os dados macroeconómicos apontam para melhorias na produção (PMI serviços e industrial) na Alemanha e em França e os dados do desemprego continuam estáveis, fatores que impulsionaram algum otimismo nos mercados financeiros. “O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje reduzir as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base. Em particular, a decisão de reduzir a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de depósito – a taxa através da qual o Conselho do BCE define a orientação da política monetária – baseia‑se na avaliação atualizada do Conselho do BCE das perspetivas de inflação, da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”, indica comunicado da instituição liderada por Christine Lagarde.

“O processo desinflacionista está bem encaminhado. A inflação continuou a evoluir globalmente em consonância com as projeções dos especialistas do Eurosistema e deverá regressar ao objetivo de médio prazo de 2% do Conselho do BCE no decurso deste ano. A maioria das medidas da inflação subjacente sugere que a inflação estabilizará, numa base sustentada, em torno do objetivo. A inflação interna permanece elevada, sobretudo porque os salários e os preços em determinados setores ainda estão a ajustar‑se, com um desfasamento substancial, à anterior subida acentuada da inflação. Contudo, o crescimento dos salários apresenta, como esperado, uma moderação e os lucros estão a amortecer, em parte, o impacto na inflação”, continua a nota do BCE, emitida esta quinta-feira.

O BCE manifesta-se otimista, considerando que as “recentes reduções das taxas de juro decididas pelo Conselho do BCE estão a tornar gradualmente a contração de novos empréstimos menos onerosa para as empresas e as famílias. Ao mesmo tempo, as condições de financiamento mantêm‑se restritivas, também porque a política monetária continua a ser restritiva e os passados aumentos das taxas de juro ainda estão a ser transmitidos ao stock de crédito, com alguns empréstimos vincendos a ser renovados a taxas mais elevadas”. No entanto, deixa alertas: “A economia continua a enfrentar fatores adversos, mas o aumento dos rendimentos reais e o desvanecimento gradual dos efeitos da política monetária restritiva deverão apoiar uma subida da procura com o tempo”.

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O que esperar de 2025?

O ano de 2024 terminou e o de 2025 arrancou com descidas nas taxas de juro por parte do regulador europeu, mas a Executive Digest quis perceber junto dos especialistas o que podemos esperar para o decurso do ano.

Os analistas da XTB acreditam que “caso o BCE consiga responder bem a estas situações e caso a inflação não dispare significativamente, os investidores preveem que o Banco Central opte por mais cortes até junho, esperando um corte em 100 p.b. até ao final do ano.”

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Já Ricardo Evangelista, CEO da ActiveTrades Europe, sublinha qie “alguns especialistas preveem um quadro mais pessimista para a economia da zona euro, com os ventos contrários do protecionismo e da instabilidade geopolítica a pressionarem o BCE a adotar uma política ainda mais expansionista, levando a cortes totais de 1,5% ao longo de 2025”.

Por sua vez, Roman Ziruk, analista de mercados da Ebury, coloca a incerteza na mesa, destacando que “a expectativa é de que o BCE continue sua política de cortes graduais, mas a duração e a intensidade dos mesmos dependem de dados económicos futuros e do cenário político global”.

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