Christian Brueckner, o cidadão alemão que é o principal suspeito no desaparecimento de Madeleine McCann, foi esta terça-feira de manhã absolvido de crimes sexuais relacionados com outras cinco vítimas, segundo o veredicto lido no tribunal de Braunschwei. Este desfecho representa um revés significativo para os investigadores, que continuam a trabalhar para estabelecer ligações entre Brueckner e o rapto da criança britânica, desaparecida em 2007 no Algarve.
Brueckner, de 47 anos, estava a ser julgado por cinco crimes sexuais cometidos entre 2000 e 2017 em Portugal, incluindo três alegadas violações e dois abusos sexuais de menores, enquanto as investigações sobre o seu envolvimento no desaparecimento da menina britânica prosseguem.
As alegações finais no processo, que começou em fevereiro deste ano, foram apresentadas e advogado de defesa, Friedrich Fülscher, pediu a absolvição total de Brueckner, alegando falta de provas suficientes que sustentem as acusações. “Nunca houve suspeitas suficientes contra o meu cliente”, afirmou Fülscher, criticando duramente o testemunho da principal testemunha da acusação, Helge Busching. Segundo a defesa, Busching, que alegou ter visto vídeos de Brueckner a violar duas mulheres e denunciou o seu alegado envolvimento no caso Madeleine, seria um “mentiroso” e “alguém que busca protagonismo”. Fülscher declarou ainda que “não há qualquer evidência que apoie o que ele disse” e acusou o Ministério Público de se deixar enganar pela testemunha.
Durante o julgamento, que durou oito meses, Brueckner manteve-se em silêncio, sem prestar qualquer declaração em sua defesa. Ontem, quando questionado pela juíza Ute Engemann se desejava dizer algo antes do veredicto, respondeu apenas: “Não, não quero”.
Os procuradores, por sua vez, pediram que Brueckner fosse condenado a 15 anos de prisão pelos dois casos de violação e dois de abuso sexual de menores. Também defenderam que, após cumprir a pena, o suspeito deveria ser mantido em prisão preventiva devido ao seu risco para a sociedade. No entanto, a acusação pediu a absolvição de uma terceira acusação de violação, uma decisão tomada após avaliação da insuficiência de provas.
Brueckner, de 47 anos, um criminoso reincidente com um historial de violações e abusos sexuais, é apontado pelas autoridades alemãs como o responsável pelo rapto de Madeleine, que tinha apenas três anos de idade quando desapareceu do apartamento onde a sua família passava férias, na Praia da Luz, em Portugal. No entanto, até ao momento, não foram apresentadas acusações formais contra ele no âmbito deste caso, e o suspeito tem negado, de forma consistente, qualquer envolvimento no desaparecimento da menina.
A absolvição de Brueckner em relação aos crimes sexuais contra cinco outras vítimas poderá dificultar a possibilidade de o acusar no caso de Madeleine McCann. Além disso, abre a porta à possibilidade de libertação antecipada do suspeito, já no próximo ano, o que aumenta a pressão sobre os investigadores para apresentar provas que o incriminem no desaparecimento da criança britânica.
Os procuradores alemães, embora convictos de que Brueckner é o responsável pelo rapto e assassinato de Madeleine, ainda não conseguiram reunir provas suficientes para apresentar uma acusação formal. A falta de elementos incriminatórios até à data continua a ser uma das maiores barreiras à resolução do caso, que já dura há 17 anos.
Christian Brueckner, que já cumpre uma pena de sete anos de prisão por ter violado uma idosa americana no Algarve, em 2005, é o principal suspeito no desaparecimento da menina inglesa, ocorrido em maio de 2007, na Praia da Luz, Algarve.













