Oficiais israelitas admitem ataques contra refinarias de petróleo no Irão como vingança pelo lançamento de 180 mísseis

Israel poderá direcionar os seus ataques contra refinarias de petróleo no Irão, como forma de vingança pelo ataque de terça-feira à noite, no qual Teerão lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra Telavive e outras regiões do país, numa escalada dramática no conflito entre os dois países.

Pedro Zagacho Gonçalves

Israel poderá direcionar os seus ataques contra refinarias de petróleo no Irão, como forma de vingança pelo ataque de terça-feira à noite, no qual Teerão lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra Telavive e outras regiões do país, numa escalada dramática no conflito entre os dois países.

Segundo informações do site norte-americano Axios, autoridades israelitas estão a considerar uma “retaliação significativa” que poderá atingir instalações de produção de petróleo no Irão e outros alvos estratégicos. Esta ação poderia ocorrer nos próximos dias, e os responsáveis israelitas estão em consulta com os Estados Unidos para calibrar a sua resposta militar, o que poderá aproximar o Médio Oriente do limiar de uma guerra regional.

Há ainda a possibilidade de Israel vir a atacar instalações do programa nuclear iraniano, mas analistas apontam que os EUA poderão vetar esta opção, devido ao risco de um agravamento significativo do conflito.

O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, declarou na noite de terça-feira: “Haverá consequências graves para este ataque, e iremos trabalhar com Israel para garantir que seja esse o caso.” Sullivan acrescentou que os EUA teriam “consultas em curso com os israelitas esta tarde e esta noite”.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião do gabinete de segurança na mesma noite, para discutir a resposta militar ao ataque iraniano. De acordo com o Axios, os responsáveis israelitas concordaram, em princípio, em lançar uma retaliação, mas necessitaram de discutir com as autoridades norte-americanas a cooperação em termos de defesa, o apoio operacional do Comando Central dos EUA e o fornecimento de munições.

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“Irão cometeu um grande erro esta noite – e vai pagar por isso”, afirmou Netanyahu durante a reunião do seu gabinete de segurança. “O regime iraniano não compreende a nossa determinação em defender-nos e retaliar contra os nossos inimigos… Eles vão perceber.”

O apoio político norte-americano a um ataque contra a produção de petróleo iraniana também se fez sentir. O senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, afirmou que encorajaria o governo de Joe Biden a coordenar uma resposta esmagadora com Israel, “começando com a capacidade do Irão de refinar petróleo”. Graham reforçou que as refinarias iranianas deveriam ser “atingidas de forma severa”.

Operações militares em curso no Líbano
Na quarta-feira, as Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram o envio de mais tropas para incursões terrestres no sul do Líbano, numa operação que é a maior no país desde a guerra de 2006 entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão.

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Num comunicado publicado no Telegram, as IDF informaram que enviariam a 36ª Divisão, incluindo tropas de três brigadas, para se juntarem às “incursões localizadas e direcionadas contra alvos terroristas do Hezbollah e infraestruturas terroristas no sul do Líbano, que começaram na segunda-feira”. As tropas seriam acompanhadas pela Força Aérea de Israel (IAF) e pela 282ª Brigada de Artilharia.

A imprensa israelita relatou que, até quarta-feira, cerca de 100 rockets tinham sido lançados do Líbano em direção a Israel, com relatos de confrontos diretos entre forças terrestres israelitas e o Hezbollah.

Até agora, Israel tinha apenas mobilizado a 98ª Divisão para atacar alvos no sul do Líbano, o que tornava a operação de menor escala do que as incursões na Faixa de Gaza. No entanto, o envio das novas tropas sinaliza uma possível intensificação da operação no Líbano.

Durante a noite, Israel continuou a lançar ataques aéreos sobre Beirute, com imagens a mostrar colunas de fumo a erguerem-se sobre a cidade ao amanhecer. Nos ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, pelo menos 60 palestinianos foram mortos, incluindo civis que se encontravam numa escola a servir de abrigo, segundo informações de médicos no território.

O ataque iraniano teve como alvo várias bases aéreas israelitas, mas resultou em poucos danos. Uma das vítimas foi um homem palestiniano, morto na terça-feira à noite quando os estilhaços de um míssil iraniano derrubado caíram sobre ele perto de Jericó, na Cisjordânia. Duas outras pessoas ficaram feridas.

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A maioria dos mísseis iranianos parece ter sido intercetada pelos sistemas de defesa aérea de Israel e dos EUA, com Teerão a visar principalmente bases militares, o que evitou que os projéteis caíssem em áreas densamente povoadas.

Relatos de jornalistas presentes em Jerusalém descreveram dezenas de mísseis a cruzar o céu das principais cidades costeiras de Israel pouco depois das 19h30, com os motores dos rockets visíveis desde o solo. As sirenes de ataque aéreo soaram em todo o país, enquanto os mísseis, muitos deles neutralizados pelos sistemas de defesa israelitas, desenhavam trilhas de vermelho e dourado no céu noturno.

Na madrugada de quarta-feira, pelo menos cinco ataques aéreos israelitas atingiram os subúrbios de Beirute, após múltiplas ordens de evacuação de edifícios emitidas pelas forças militares israelitas, alegando que estavam a atingir alvos do Hezbollah.

Momentos antes do início do ataque iraniano, pelo menos dois homens armados lançaram um ataque em Jaffa, uma cidade costeira israelita, matando seis pessoas e ferindo 10, incluindo um soldado das IDF, levantando preocupações de que o aumento da violência possa alimentar mais ataques terroristas dentro de Israel.

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