Quase 30% do que a consultora de Vitorino recebeu foi pago por empresa suspeita de corrupção

Entre 2012 e 2018, a empresa que António Vitorino, ex-ministro da Presidência e da Defesa no Governo de António Guterres e actual director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), tem com a mulher desde final de 2011 arrecadou 912 mil euros. O antigo político terá recebido directamente 70 mil euros de uma sociedade de advogados espanhola, que não declarou pagamentos ao fisco de Espanha.

Revista de Imprensa

Entre 2012 e 2018, a empresa que António Vitorino, ex-ministro da Presidência e da Defesa no Governo de António Guterres e actual director-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), tem com a mulher desde final de 2011 arrecadou 912 mil euros. O antigo político terá recebido directamente 70 mil euros de uma sociedade de advogados espanhola, que não declarou pagamentos ao fisco de Espanha.

A empresa de consultadoria terá recebido três transferências de 255 mil euros, realizadas entre 2012 e 2016, por uma sociedade de advogados espanhola, a Morodo Abogados, investigada em Espanha por suspeitas de participar num esquema de corrupção que envolve a petrolífera estatal venezuelana, a PVDSA. O valor recebido pela EMAB Consultores, Lda, detida em partes iguais por Vitorino e pela mulher, representa 28% do total de receitas arrecadadas pela empresa entre 2012 e 2018, segundo os relatórios de contas da empresa a que o “Público” teve acesso.

Mas estas transacções não serão as únicas operações suspeitas que a Justiça espanhola está a analisar. Nos documentos divulgados pelo jornal digital espanhol “OkDiario” são referidos dois pagamentos de 35 mil euros, um feito em 2011 e outro em 2012, que terão tido Vitorino como destinatário directo. Estas operações terão sido efectuadas por uma outra sociedade, a Aequitas Abogados y Consultores, que recebeu verbas avultadas directamente da petrolífera venezuelana.

Assim, contas feitas, António Vitorino terá recebido qualquer coisa como 325 mil euros das duas empresas espanholas, de acordo com os documentos oficiais da unidade de apoio da “Fiscalia” Especial contra a Corrupção e a Criminalidade Organizada, uma estrutura similar ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal, em Portugal.

Contactado pelo “Público”, António Vitorino admitiu ter prestado prestou serviços de consultadoria «em assuntos referentes à União Europeia e às relações entre Portugal e Espanha» a uma das duas sociedades de advogados mencionadas pelo “OkDiario”, mas não especifica qual. O “Público” avança que se deverá tratar da Morodo Abogados para a qual Vitorino admite ter trabalhado entre 2011 e 2017.

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